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Chapter 3: O Preço da Lealdade

Leo realiza sua primeira tarefa de transporte para o Sr. Chen, usando seu sobrenome como salvo-conduto para proteger uma carga humana. Após o sucesso, Mei revela que a morte do tio foi uma sabotagem interna, forçando Leo a aceitar que sua sobrevivência agora depende de sua integração na rede criminosa.

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O Preço da Lealdade

O escritório do tio cheirava a sândalo e mofo, um contraste ofensivo com o ar condicionado estéril do escritório de Leo na Faria Lima. Ele encarava o Sr. Chen, que permanecia imóvel, uma estátua de seda e autoridade em meio à desordem dos registros familiares.

— Você não entende a escala do que está em jogo, Leo — Chen disse, a voz baixa, desprovida de qualquer ameaça teatral. — Seus chefes na logística internacional não contratam pessoas com o seu sobrenome por acaso. Eles valorizam a precisão. A mesma precisão que seu tio usou para mover pessoas através das frestas do sistema por décadas.

Leo sentiu o estômago revirar. A chantagem não era sobre dinheiro; era sobre a sua legitimidade. Chen sabia da sua ascensão na empresa, dos seus planos de carreira, e agora, da sua assinatura no contrato de fiador que ele assinara anos atrás, sem ler, em um jantar de família que parecia uma vida inteira atrás.

— Eu não sou ele — Leo retrucou, a voz falhando por um milésimo de segundo. — Eu não opero nesse submundo.

— Você já está operando — Mei interveio, saindo das sombras com uma pasta de couro gasta. Ela jogou o objeto sobre a mesa. — O primeiro transporte já está agendado. O contêiner 402, no corredor logístico sul. Se você não estiver lá para autorizar a saída com o selo da família, a carga será confiscada pela fiscalização. E as pessoas dentro dele... bem, elas não têm a sua proteção corporativa.

Leo olhou para a pasta. O livro-razão estava aberto na página do dia. Nomes, datas, rotas. Não eram mercadorias. Eram vidas que dependiam de um sobrenome que ele tentara apagar da própria identidade.

Horas depois, o pátio de contêineres era um labirinto de metal sob a luz fria dos holofotes. Leo caminhava com as mãos nos bolsos, sentindo o peso do selo de latão que Mei lhe entregara. Quando o agente da fiscalização se aproximou, Leo não sentiu o medo do criminoso, mas a náusea do cúmplice. Ele estendeu o documento com o brasão da família. O agente parou, olhou para o selo, depois para Leo, e recuou um passo, fazendo um gesto de dispensa. O portão abriu-se sem uma única pergunta.

De volta ao armazém, o silêncio era absoluto. Mei o esperava, observando-o com uma intensidade que ele não conseguia decifrar.

— Você passou — disse ela, sem qualquer traço de alívio. — Mas não se engane. O Sr. Chen não o trouxe de volta por causa da sua competência. Ele o trouxe porque você é o único que pode ser descartado se algo der errado.

Leo sentiu o peso da realidade. Ele não estava apenas pagando uma dívida; ele estava sendo absorvido.

— Por que ele quer que eu faça isso? — Leo perguntou, a voz rouca.

Mei puxou uma folha vermelha do livro-razão. — Seu tio não morreu de causas naturais. Ele foi sabotado. Alguém dentro do círculo de confiança de Chen alterou a rota para forçar a queda dele. Se você quer sobreviver, precisa descobrir quem, aqui dentro, está tentando destruir o que restou de nós.

Leo olhou para a pasta. A lealdade, antes um conceito abstrato, agora era a única moeda de troca que ele possuía. Ele não era mais o forasteiro; ele era o novo guardião de um segredo que, se revelado, destruiria sua vida lá fora, mas que, se mantido, era a única coisa que o mantinha vivo aqui dentro.

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