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Chapter 4: Chapter 4

Elias foge da mansão Lane após ser rastreado por Helena, perdendo sua conexão digital. Ao buscar o endereço ligado ao ledger, ele descobre que o local está sendo demolido em tempo real para apagar evidências. A análise dos documentos resgatados confirma que Helena é a arquiteta da liquidação, não uma vítima de chantagem. O prazo para o leilão é reduzido para 115 horas.

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Chapter 4

A chuva em São Paulo não lavava nada; apenas empurrava a sujeira das ruas para os bueiros, transformando o asfalto em um espelho negro de falsas promessas. Elias disparou pelos portões da mansão Lane, o peito arfando, o ar gelado cortando seus pulmões como lâminas. Atrás dele, o estrondo do portão eletrônico sendo forçado revelou a silhueta imponente do Enforcer. Ele não estava apenas seguindo; estava caçando. O cartão de acesso ao Fundo de Investimento, frio e metálico na palma da mão de Elias, era sua única moeda de troca contra o império de Helena.

Mas, ao tatear o bolso interno da jaqueta, seus dedos tocaram algo estranho, aderido ao forro: uma protuberância magnética. O coração de Elias parou. Helena não apenas o traíra; ela o marcara como gado. O som de pneus cantando na entrada da propriedade ecoou pelo vale. O Enforcer sabia exatamente onde ele estava. Elias virou a esquina, o desespero transformando-se em foco gélido. Ele arrancou o rastreador, jogou o celular contra o meio-fio e, com um movimento brusco, empurrou tudo para dentro do bueiro. O silêncio da conexão cortada pesou mais que a chuva. A água turva engoliu o aparelho, levando consigo sua identidade e a última trilha digital que Helena poderia usar para localizá-lo. Ele não era mais o confidente da herdeira; era uma presa em território hostil.

Horas depois, o sedã cinza que Elias conseguira — um veículo sem registro, com cheiro de cigarro barato — estacionou a dois quarteirões do endereço anotado no ledger. O cartão de acesso vibrava no bolso como uma sentença de morte. Ele tinha 118 horas antes do leilão, mas o peso no estômago dizia que o tempo corria mais rápido do que o relógio marcava. O edifício no centro histórico deveria ser um escritório de contabilidade, a fachada cinzenta para o Fundo Lane.

Ao virar a esquina, a realidade o atingiu com o ruído seco de britadeiras e o estalo de vigas de aço cedendo. Não havia contabilidade. Havia uma demolição autorizada, conduzida por operários em jaquetas fosforescentes que trabalhavam sob holofotes potentes, ignorando a tempestade. A poeira de concreto subia como uma neblina tóxica, apagando o passado antes que qualquer auditor pudesse alcançá-lo. Elias sentiu o sangue gelar. Helena não apenas sabia do arquivo; ela havia garantido que o rastro fosse obliterado. Cada golpe da marreta no prédio era um corte no cordão umbilical que o ligava a Beatriz. Ele avançou entre os escombros, ignorando o grito de um capataz, e agarrou um maço de documentos fragmentados das mãos de um operário confuso antes que uma parede desmoronasse, sepultando o escritório sob toneladas de entulho.

Agachado sob a estrutura de concreto de um viaduto na zona norte, Elias finalmente analisou o documento. O cheiro de mofo e óleo queimado impregnava sua jaqueta. Seus dedos, trêmulos, percorriam as bordas rasgadas do ledger resgatado da caixa 402, cruzando os números com o cartão de acesso. O padrão era inegável. O fundo de investimento que orquestrava a liquidação do acervo dos Lane não era uma entidade externa; era uma subsidiária direta de uma holding que Helena presidia em segredo.

— Você sabia — murmurou ele, a voz soando estranha no vazio úmido do abrigo. — Desde o primeiro dia.

A traição não era uma possibilidade; era a estrutura do sistema. Helena não estava sendo chantageada; ela estava vendendo a história de Beatriz para apagar os pecados da linhagem Lane. O ledger mostrava a última entrada: uma transferência vultosa para uma conta em paraíso fiscal, datada de quatro dias atrás. O valor correspondia exatamente ao preço inicial de Beatriz no leilão. Elias olhou para o relógio: 115 horas restavam. Se o sistema queria apagar a história, ele seria a anomalia que a tornaria impossível de ignorar. Ele não estava mais apenas caçando uma herdeira; estava em guerra contra a própria família que jurara proteger.

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