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Chapter 11: O Sangue do Herdeiro

Lucas abre o cofre central usando seu sangue, revelando o livro-razão mestre e ativando um timer de autodestruição. Ele usa uma brecha no sistema para ganhar tempo e, com a ajuda de Helena, inicia a transferência das provas para a Polícia Federal, forçando uma escolha final entre a herança e a verdade.

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O Sangue do Herdeiro

O sangue de Lucas manchava o sensor biométrico, uma assinatura carmesim que o sistema da mansão exigia para revelar o que a família tentara enterrar. Valério estava logo atrás, o cano da Beretta pressionado contra a base do crânio de Lucas, um lembrete constante de que a vida do sobrinho valia menos que a discrição do cofre.

— Mais fundo, Lucas. O sistema não aceita hesitação — a voz de Valério era um sussurro de seda, desprovida de qualquer humanidade.

O corte na palma da mão latejava, mas o zumbido hidráulico da porta de aço de trinta centímetros de espessura finalmente cedeu. Com um suspiro metálico, o cofre se abriu. O ar lá dentro era estéril, carregado com o cheiro de ozônio e o zumbido de servidores em alta performance. Não havia ouro. Apenas um console central e um timer digital projetado na parede oposta: 01:59:59.

Valério empurrou Lucas para dentro e trancou a porta magnética. O som do trinco foi o selo de um túmulo.

— Agora, o sistema de incineração está armado — disse Valério, a voz ecoando nas paredes de concreto. — Você tem duas horas antes que o calor derreta tudo, inclusive você. Abra o acesso mestre ou veja o legado virar cinzas.

Lucas ignorou a ameaça, seus dedos voando sobre o console. Ele não buscava dinheiro; buscava a verdade que Helena deixara como armadilha. Ele acessou o arquivo de confissões. A voz de Helena preencheu a câmara, fria e precisa:

“Lucas, se você está ouvindo, o jogo mudou. Você é o beneficiário final desde 17 de abril de 2022. Não foi um erro, foi uma sentença. O sistema exige a digital do herdeiro para liberar as provas à Polícia Federal. Se eu não estiver aí, use a minha assinatura digital de emergência.”

O timer marcava 01:30:00. A porta externa rangeu. Valério entrou arrastando Helena, que mal conseguia manter os olhos abertos. Ele pressionou uma faca contra a garganta dela.

— O download, Lucas. Agora. Ou ela morre e o sistema queima tudo.

Lucas sentiu o peso do livro-razão costurado em sua mochila. Ele olhou para o console, depois para Helena. Ele sabia que o sistema de segurança tinha uma falha de design: ele podia travar o protocolo de incineração se uma escolha de herdeiro fosse iniciada. Ele digitou a sequência que decifrara nas noites de vigília.

PROTOCOLO DE EMERGÊNCIA: ESCOLHA FINAL DE HERDEIRO OBRIGATÓRIA EM 00:45:00.

Valério recuou, confuso.

— O que você fez?

— Ganhei tempo — Lucas respondeu, a voz firme. Ele segurou Helena, guiando sua mão trêmula até o leitor biométrico. O sensor brilhou em verde. O sistema iniciou a transferência dos arquivos para a Procuradoria Federal.

O timer marcava 00:03:12. O sistema exibiu a mensagem final: ESCOLHA FINAL: SACRIFICAR A HERANÇA (DELETAR REGISTROS E QUEIMAR DOCUMENTOS) OU PRESERVAR A HERANÇA (MANTER ARQUIVOS E ATIVAR PROTOCOLO DE ELIMINAÇÃO).

Lucas olhou para Valério, que empalideceu. A decisão estava tomada. Ele não queria o império; ele queria o fim da família.

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