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Chapter 7: Votação de Ruptura

Arthur utiliza as provas da fraude de Otávio e a traição de Ricardo para forçar uma votação de destituição no conselho. Otávio é removido da presidência, mas a vitória de Arthur é ofuscada pela descoberta de que a holding está tecnicamente falida e sob ameaça de credores internacionais, tornando a empresa uma bomba-relógio.

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Votação de Ruptura

O ar no 20º andar da Valente Holding não era apenas rarefeito; era tóxico. O cheiro de café expresso de alta qualidade, servido em porcelana fina, mal disfarçava o odor metálico de pânico que emanava dos conselheiros. Arthur Valente entrou na sala de reuniões com a cadência de quem já possuía as chaves do cofre. Ele não pediu licença. Ele ocupou o espaço.

À cabeceira, Otávio Valente mantinha a postura aristocrática, mas o tremor quase imperceptível em suas mãos, escondidas sob a mesa de mogno, revelava a falência de sua fachada.

— A pauta é a ratificação da exclusão permanente de Arthur da holding — anunciou Otávio, a voz forçando uma autoridade que já não possuía. — Senhores, as assinaturas. O tempo é um ativo que não podemos desperdiçar.

Arthur parou atrás da cadeira vazia, o olhar fixo no patriarca. Ele depositou um dossiê sobre a mesa com um estrondo seco. O som cortou o ar como um tiro.

— Antes de qualquer caneta tocar o papel, leiam a cláusula 14-B — disse Arthur, a voz fria, desprovida de qualquer hesitação. — E, mais importante, o anexo sobre a garantia da nossa sede.

Otávio empalideceu. O silêncio na sala tornou-se absoluto.

— Você não tem autoridade aqui, Arthur. Você é um erro que estamos corrigindo — sibilou Otávio, mas o suor em sua testa denunciava o medo.

— Sou o único herdeiro que ainda possui a chave administrativa que você acreditou ter deletado — Arthur inclinou-se, travando o olhar com o de seu algoz. — A sede da Valente Holding não é mais nossa. Ela é a garantia de uma dívida pessoal sua, liquidada em segredo para cobrir apostas em derivativos. O prédio que ocupamos pertence, tecnicamente, a um credor privado que pode nos despejar antes do almoço.

Beatriz, sentada à direita de Arthur, deslizou um tablet para o centro da mesa. As linhas vermelhas de uma auditoria implacável preencheram a parede de vidro, revelando um rombo de 300 milhões de reais.

— Não são apenas papéis, Otávio — disse Beatriz, sua voz cortante. — São registros de transferência. Ricardo, seu braço direito, confirmou cada movimento. Ele entregou a chave do cofre digital. O jogo acabou.

Otávio tentou se levantar, a dignidade ruindo. — Isso é uma conspiração! Arthur é um desequilibrado!

— A sucessão está morta, Otávio — retrucou Arthur. — Mendes, o senhor tem a palavra. A votação de destituição ou a ruína total da sua própria reputação. O que prefere?

Mendes, o conselheiro que até o dia anterior jurava lealdade ao patriarca, olhou para os números no telão, depois para o passaporte diplomático de Otávio que Arthur expusera sobre a mesa. A escolha era clara: a sobrevivência.

— Voto pela destituição imediata da presidência — declarou Mendes. Um a um, os outros conselheiros seguiram o fluxo, o medo da CVM superando a lealdade ao nome Valente.

Otávio foi isolado em seu próprio trono. Quando a votação foi encerrada, ele estava sozinho, sem autoridade, sem aliados e sem a empresa que construíra sobre mentiras.

Após a saída de Otávio, o silêncio no escritório da presidência tinha a densidade de um cofre trancado por dentro. Arthur sentou-se na cadeira do patriarca. O couro cedeu com um estalo. Beatriz entrou sem bater, mas não trazia o sorriso de triunfo que ele esperava. Seus olhos estavam fixos na tela do terminal que Arthur acabara de desbloquear. Ela depositou uma pasta de couro sobre a mesa, o relatório final da auditoria externa.

— O conselho votou, Arthur. Você venceu. Mas olhe para isso.

Arthur desviou o olhar para o monitor. O contador da CVM marcava quatro horas e doze minutos. O sistema de upload automático estava em modo de espera, um canhão apontado para a própria empresa. Ele abriu a pasta de Beatriz. A cada página que virava, o sangue esfriava. O rombo de 300 milhões era apenas a ponta do iceberg; a empresa estava tecnicamente falida, presa em uma teia de lavagem internacional que envolvia credores muito mais perigosos que o conselho.

Arthur olhou para o relógio da contagem regressiva. Sua vingança fora apenas o primeiro movimento de uma guerra que ele mal começara a compreender. Ele não tinha apenas herdado uma empresa; ele tinha herdado uma bomba-relógio que, se não fosse desarmada em menos de quatro horas, destruiria tudo o que restava de seu nome.

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