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Chapter 6: O Preço da Lealdade

Arthur confronta Ricardo, braço direito de Otávio, usando a denúncia à CVM como alavanca. Ricardo, temendo ser o bode expiatório do plano de fuga de Otávio, entrega a chave do cofre digital. Arthur e Beatriz acessam os dados, confirmando a hipoteca da sede e consolidando a ruína iminente de Otávio.

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O Preço da Lealdade

O silêncio no interior do sedan blindado não era paz; era a contagem regressiva de uma execução. No painel digital, o cronômetro marcava 05:40:00. O upload automático para a CVM, programado por Arthur, era uma guilhotina digital pairando sobre o pescoço da Valente Holding. Ao seu lado, Beatriz mantinha os olhos fixos na pasta de couro que continha a prova da hipoteca da sede.

— Você percebe que, ao expor essa dívida, você não apenas derruba Otávio — Beatriz disse, a voz cortante como vidro. — Você queima a última memória tangível da sua mãe. Aquela sede era o único legado que ela ainda tinha ali dentro. Destruir o prédio é apagar a história dela.

Arthur não desviou o olhar da janela, onde as luzes de São Paulo passavam como borrões de néon. — Ela não era uma santa, Beatriz. Ela era a primeira vítima da ganância de Otávio. Ele usou o nome dela como fachada para apostas que ele sabia que não poderia pagar. Cada centavo perdido em derivativos foi carregado nas costas dela como uma cruz. Eu não estou destruindo a memória dela; estou limpando o nome dela da lama onde meu pai a enterrou.

Ao entrarem no clube privado, o ar pesava com o cheiro de charutos caros e o desprezo de homens que não precisavam provar nada. Ricardo, o braço direito de Otávio, girava um copo de conhaque com uma calma performática. Ele não se levantou.

— Você é um homem corajoso, Arthur — disse Ricardo, sem encará-lo. — Ou apenas um tolo que não percebeu que a porta da diretoria foi trancada por fora. A expulsão definitiva será votada antes do fim do dia.

Arthur não respondeu com súplicas. Ele deslizou um tablet sobre a mesa de mogno. O brilho da tela cortou a penumbra. Ricardo franziu a testa, mas ao visualizar o documento — o rascunho da denúncia à CVM, com seu nome rotulado como o principal executor do rombo de 300 milhões — seu rosto perdeu a cor. O copo tremeu contra o cristal.

— Onde conseguiu isso? — A voz de Ricardo falhou.

— O sistema da holding não guarda segredos, Ricardo. Ele apenas espera que alguém saiba ler o que foi enterrado — Arthur respondeu, a voz gélida. — Otávio já tem um passaporte diplomático e uma conta aberta nas Ilhas Cayman. Ele não está te protegendo; ele está te usando como um fusível. Quando a auditoria externa cruzar os dados, o seu IP será o único rastro deixado na cena do crime. Ele vai te entregar às autoridades para salvar a própria pele.

Ricardo levantou o olhar, o pânico vencendo a máscara de lealdade corporativa. Ele sabia que Arthur estava certo. O patriarca já havia transferido ativos para contas offshore; o plano de fuga de Otávio não incluía ninguém além dele próprio. A hesitação de Ricardo durou apenas um suspiro. Com mãos trêmulas, ele retirou um dispositivo criptografado do bolso interno do paletó.

— Ele reservou um voo particular para amanhã cedo — sussurrou Ricardo, entregando a chave. — Aqui está o acesso ao cofre digital. Todas as provas das transferências ilegais estão aí.

De volta à sala de segurança da Valente Holding, o ambiente era denso, carregado com o cheiro metálico de servidores superaquecidos. Arthur observava o contador da CVM: 05:38:00. Mendes, o conselheiro que Arthur converterá dias antes, autorizou o acesso remoto.

— Ele hesitou — sussurrou Beatriz, observando as linhas de código que começavam a purgar os registros ocultos.

— Ele calculou o preço da própria sobrevivência — corrigiu Arthur, digitando a sequência de acesso com a precisão de um cirurgião.

O sistema emitiu um bipe agudo. A tela se iluminou com a planilha de ativos: a sede da Holding, o coração do império Valente, aparecia agora como garantia liquidável. O império de Otávio não era mais uma fortaleza; era uma estrutura oca, pronta para ruir ao primeiro toque. Arthur olhou para o relógio. A contagem regressiva para a queda final havia começado, e desta vez, ele estava segurando o detonador.

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