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Chapter 7: O Contra-Ataque do Patriarca

Rafael neutraliza a tentativa de demissão de Otávio ao revelar sua posição como acionista majoritário (51%). Ele expõe a Juliana a prova da sabotagem geotécnica, destruindo a imagem de infalibilidade do pai. O capítulo termina com Rafael assumindo o controle total e preparando-se para o confronto iminente pela licitação hospitalar contra o Grupo Vanguarda.

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O Contra-Ataque do Patriarca

A sala de reuniões da Albuquerque Construtora não era apenas um espaço de trabalho; era um aquário de vidro temperado onde a pressão social era mantida em níveis letais. Otávio Albuquerque, com o rosto tingido por uma tonalidade púrpura de indignação, golpeou a mesa de mogno. O som seco ecoou, mas não trouxe o silêncio submisso de outrora.

— A ineficiência tem um custo, Rafael. E você, com sua obstinação em paralisar a licitação da orla, tornou-se um passivo insustentável para esta família — a voz de Otávio, antes um trovão que fazia os funcionários tremerem, agora soava como um eco desesperado. — O conselho está unânime. Seu contrato de gestão será rescindido por justa causa. A segurança de nossa reputação depende da sua saída imediata.

Juliana, sentada à direita do pai, mantinha a postura rígida. Seus olhos, que outrora buscaram em Rafael um porto seguro, agora o encaravam com uma frieza treinada, uma tentativa desesperada de alinhar-se ao vencedor daquele embate. O silêncio que se seguiu à fala de Otávio foi preenchido apenas pelo zumbido do ar-condicionado central.

Rafael Mendes não se apressou. Ele observou os conselheiros, homens cujas lealdades mudavam conforme a direção do vento financeiro. Ele não se defendeu; ele apenas esperou, com a calma de um cirurgião que conhece a anatomia do monstro que tem à frente.

— Justa causa, Otávio? — Rafael perguntou, sua voz baixa, desprovida de qualquer tremor. — Você convocou este conselho de emergência sem verificar a estrutura acionária atualizada da companhia. Um erro amador para alguém que se diz visionário. Legalmente, esta reunião não possui quórum. Eu não detenho apenas o poder de veto; eu detenho 51% das ações operacionais desta empresa.

O ar na sala pareceu rarefeito. O choque foi imediato, uma onda que varreu a arrogância do rosto de Otávio, deixando apenas uma máscara de terror puro. Os conselheiros começaram a trocar olhares, a ficha caindo como um martelo de juiz: o genro descartável não era mais um funcionário; ele era o dono do destino de cada um deles.

Após o encerramento caótico da reunião, o corredor executivo parecia ter encolhido. Juliana alcançou Rafael perto da galeria de vidros, o som de seus saltos contra o granito polido ecoando como tiros.

— Você não precisava ter feito isso — ela sibilou, a voz trêmula. — Humilhar meu pai na frente de todos... Ele é um homem orgulhoso, Rafael. O legado dele é tudo o que temos.

Rafael parou, girando lentamente. Ele não viu a esposa; viu uma peça de um sistema corrompido que ele estava prestes a desmontar. Ele estendeu um envelope pardo, selado com a marca da auditoria externa.

— Ele não é um homem orgulhoso, Juliana. Ele é um homem negligente que trocou a segurança da família por uma aposta desesperada. O que o seu pai chamou de 'erro geotécnico' foi, na verdade, uma sabotagem plantada há cinco anos por rivais que ele sequer soube identificar. Abra.

Juliana hesitou, mas a autoridade na postura dele a forçou a aceitar o documento. Seus dedos tremeram ao folhear as páginas. Eram os metadados da sabotagem, cruzados com as movimentações financeiras do Grupo Vanguarda. A cor fugiu de seu rosto. A imagem do pai como um patriarca infalível desmoronou, substituída pela realidade de um peão que fora jogado fora pelo tabuleiro.

Mais tarde, no antigo escritório de Bruno, agora seu, Rafael observava o horizonte de Florianópolis com o Dr. Marcelo Lima. O advogado conferia a última folha do processo de transferência.

— Otávio ainda está no saguão, tentando convencer os acionistas de que houve um erro de sistema — relatou Marcelo, com um sorriso seco. — Ele não aceita que o jogo mudou.

— Deixe-o falar — respondeu Rafael, focado na notificação que acabara de piscar em seu monitor. — Quanto mais ele gritar, mais ele valida sua incompetência. O mercado não perdoa o patriarca que perde o controle da própria casa.

Marcelo deslizou um novo dossiê sobre a mesa. A capa trazia o selo do Grupo Vanguarda.

— Eles não apenas sabotaram os Albuquerque. Eles criaram o cenário para dominar a licitação hospitalar que será aberta amanhã. O verdadeiro confronto começa agora.

Rafael olhou para o horizonte. O leilão não era mais uma disputa por terrenos; era uma guerra por sobrevivência nacional. Ele estava pronto.

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