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Chapter 5: A Máscara de Beatriz

Lucas confronta Beatriz sobre seus gastos ilícitos e utiliza o acesso aos sistemas financeiros da família para bloquear suas contas, humilhando-a publicamente no Hotel Unique. Simultaneamente, ele pressiona Carlos no escritório, consolidando sua posição como o novo detentor do poder tático enquanto prepara o golpe final no leilão.

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A Máscara de Beatriz

O silêncio no salão de jantar dos Lane era mais cortante que a prataria de lei disposta sobre a mesa. Beatriz, envolta em um vestido de seda cujo valor superava o salário anual de um gerente da empresa de seu pai, mantinha o olhar fixo no prato. Ela ignorava Lucas, tratando-o como um móvel que, por erro de inventário, ainda ocupava uma cadeira na cabeceira.

Lucas não era mais o acessório silencioso. Em uma semana, ele havia desmontado a reputação de Carlos, transformando o patriarca de um magnata intocável em um homem que suava frio ao atender o telefone.

— O vinho está amargo, Beatriz — disse Lucas, pousando a taça com uma precisão cirúrgica. — Talvez seja a safra, ou talvez o fato de que a conta bancária de onde você extrai seus luxos tenha entrado em auditoria forçada hoje cedo.

Beatriz largou o garfo. O som do metal contra a porcelana foi um estalo seco. Seus olhos, antes distantes, incendiaram-se com uma fúria contida. A máscara de socialite impecável, construída sobre décadas de privilégios, começou a rachar.

— Você acha que pode me assustar com números e relatórios falsificados? — ela sibilou. — Meu pai controla este mercado. Você é apenas um oportunista que teve sorte com um perito bêbado. Se continuar com essa petulância, Lucas, a única coisa que terá ao final do mês será o divórcio e a miséria absoluta.

Lucas não se abalou. Ele retirou um envelope pardo do bolso interno do paletó e o deslizou pela mesa de mogno, parando exatamente sob os dedos dela.

— Não é um relatório, Beatriz. É um extrato de movimentação de capital. Cada centavo que você desviou para manter esse padrão de vida está rastreado. A auditoria não é minha; é do fisco. E eles não aceitam desculpas de socialites.

Ele deixou a esposa no salão e atravessou o corredor em direção ao escritório de Carlos. O ambiente cheirava a charuto caro e desespero. Carlos não esperou que Lucas se sentasse. O magnata, cujas mãos tremiam ao segurar um copo de uísque, apontou o dedo para o genro.

— Você tem ideia do que fez ao vazar aquele relatório? — a voz de Carlos era um rosnado. — As ações despencaram dez por cento em duas horas. Você é um genro, não um sócio. Devolva o documento original agora, ou eu garanto que você sairá desta casa sem um centavo e com um processo por sabotagem industrial.

Lucas permaneceu imóvel. A coleira que o prendia àquela família havia se rompido no momento em que ele assinou o contrato de consultoria com o consórcio rival.

— Ameaças funcionam com quem ainda acredita na sua fachada, Carlos — respondeu Lucas, sua voz calma cortando o ar. — O mercado já percebeu a sua fragilidade. O consórcio para o qual presto consultoria não quer apenas a sua jade; eles querem os ativos que você tentou esconder através de laranjas.

Lucas sentou-se à frente do terminal de dados. Enquanto Carlos observava, pálido, Lucas acessou a rede interna. O cursor piscava, um metrônomo silencioso para a ruína de Beatriz. Ele não precisava de gritos. Bastava um comando final para marcar as contas de Beatriz como 'atividades suspeitas' de lavagem de ativos, um gatilho automático que dispararia uma investigação fiscal imediata.

— Vamos ver como a elite reage quando o cartão de crédito é recusado no meio de um almoço no Fasano — murmurou Lucas, digitando o código de autorização. Uma notificação brilhou na tela: Bloqueio preventivo ativado. Contas vinculadas sob investigação.

Horas depois, no salão do Hotel Unique, o brilho do evento parecia ter perdido a cor para Beatriz. Ela segurava sua taça de champanhe com uma rigidez que traía o tremor de seus dedos. Lucas observava de um canto estratégico. Beatriz caminhou até o balcão do concierge, onde um vendedor de joias de alta linhagem aguardava o pagamento da peça que ela havia reservado — uma garantia de status que ela pretendia usar para ofuscar o escândalo da jade falsa.

Ela entregou seu cartão Black com um sorriso ensaiado, mas a expressão do funcionário mudou assim que o chip foi lido. O terminal emitiu um bipe curto e estridente.

— Sinto muito, senhora, mas o cartão foi recusado — disse o funcionário, com um profissionalismo frio. — O sistema indica uma restrição por ordem judicial.

O silêncio ao redor de Beatriz tornou-se absoluto. O luxo que ela ostentava — a seda, as joias, a aura de intocável — transformou-se, diante de todos, em evidência de crime. Lucas deu um passo à frente, pronto para arrematar o leilão que destruiria o legado de Carlos de uma vez por todas.

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