O Preço da Proteção
A sala do conselho da Valença, no vigésimo andar da Faria Lima, não era um ambiente de negócios; era um tribunal de etiqueta onde o silêncio cortava mais que o vidro temperado das divisórias. Caio entrou sem bater. Helena ocupava a cabeceira com a imobilidade de uma estátua de mármore, o perfume floral caro saturando o ar com uma nota metálica de crise.
Ela deslizou uma pasta de couro sobre o mogno. O som do atrito foi a única saudação.
— O noivado tornou-se uma responsabilidade financeira insustentável, Caio — disse ela, a voz desprovida de inflexão. — Os conselheiros foram informados sobre a instabilidade da clínica e, mais importante, sobre os riscos associados à criança que você insiste em proteger. A marca Valença não tolera segredos que viram manchete.
Caio sentiu o sangue pulsar nas têmporas, mas sua postura permaneceu impecável. Ele sabia que Helena já tinha espalhado a versão dela: Lí
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