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Chapter 10: O Cerco Final

Arthur Valente colapsa financeiramente o consórcio de Salles e Valeriano, expondo a fraude do hospital em tempo real. Ele confronta o Coronel Valeriano em um jantar-armadilha, onde, em vez de ser capturado, ele vira o jogo ao transmitir a confissão do Coronel para toda a elite da cidade, iniciando o colapso público da rede de poder.

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O Cerco Final

O servidor central do consórcio emitiu um alerta de falha crítica, um som agudo que cortava o silêncio da sala de operações. Arthur Valente observava as linhas de código escorrerem pela tela, cada uma representando a desintegração do império de Ricardo Salles e a exposição pública do Coronel Valeriano. O ar no ambiente, antes carregado de tensão, agora cheirava a ozônio e derrota.

— As contas offshore foram congeladas — Beatriz informou, a voz desprovida de hesitação. Ela não era mais a administradora acuada; era a arquiteta da própria vingança. — O consórcio está em pânico. Os sócios estão tentando retirar o capital, mas o sistema não permite. Você travou tudo.

Arthur não desviou os olhos do monitor. Ele não buscava a euforia da vitória, apenas a precisão do desmantelamento. O Coronel Valeriano, o homem que orquestrou a ruína da família Valente sob o disfarce de patriotismo, finalmente sentia o chão ceder.

— Eles sabem quem está por trás disso? — perguntou Beatriz.

— Eles sabem que alguém com acesso total às chaves de Salles está demolindo o legado deles — Arthur respondeu, fechando a conexão com um clique seco. — Mas o pânico é um péssimo conselheiro. Eles não vão se render. Vão tentar o xeque-mate.

Às 20h, o restaurante 'L’Étoile' era um mausoléu de mármore e veludo, onde o silêncio custava mais caro que a vida de um homem comum. O convite, um cartão de papel vergê com o brasão do Coronel Valeriano em relevo dourado, repousava no bolso de Arthur. Era uma armadilha, e ele pretendia caminhar diretamente para o centro dela.

Arthur entrou no salão. O Coronel Valeriano estava sentado à mesa central, servindo-se de um vinho safra rara. O rosto, esculpido pela disciplina militar que Arthur um dia respeitara, mantinha uma máscara de arrogância aristocrática. Ao redor, seguranças disfarçados de garçons mantinham as mãos próximas aos paletós.

— Você é um homem persistente, Valente — Valeriano comentou, sem desviar o olhar da taça. — A maioria dos cães que eu chutei teria morrido na sarjeta. Você insiste em latir para a mão que o alimentou.

Arthur não se sentou. Ele permaneceu de pé, uma presença dominante que forçava os seguranças a uma tensão visível. O cheiro de dinheiro antigo e pânico contido impregnava o ambiente.

— A mão que me alimentou, Coronel, também tentou me enterrar vivo — Arthur respondeu, a voz cortante. — Mas você esqueceu que o solo onde me enterrou é exatamente onde reside o seu maior segredo. A fraude geológica do Hospital Monte-Claro não é apenas um erro de cálculo. É a sua assinatura.

Valeriano riu, um som seco. Ele gesticulou, e um dos homens avançou, a mão sob o paletó, buscando uma arma. Arthur não recuou. Ele tocou o dispositivo em seu pulso, ativando o sinal de transmissão.

Em todo o salão, os painéis decorativos de LED, antes discretos, começaram a exibir os documentos da fraude e a confissão gravada de Valeriano sobre o desvio de fundos. O Coronel empalideceu enquanto o burburinho de pânico da elite da cidade preenchia o ambiente. O jogo havia mudado de mãos. A confissão pública estava sendo transmitida ao vivo. A elite da cidade, antes intocável, agora via seu próprio fim sendo exibido para o mundo.

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