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Chapter 9: Guerra de Classes

Arthur utiliza as chaves de acesso de Salles para colapsar financeiramente o consórcio, expondo a fraude geológica do hospital e semeando a discórdia entre os sócios de Valeriano. O capítulo termina com um convite para um jantar que é, claramente, uma armadilha armada pelo Coronel Valeriano.

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Guerra de Classes

O escritório de Arthur não era mais do que um bunker improvisado nos fundos de um depósito industrial, mas o brilho azulado de quatro monitores projetava em seu rosto a frieza de um centro de comando militar. Ele não estava ali para negociar; estava ali para executar uma sentença. Com as chaves de acesso que arrancara de Ricardo Salles, ele não apenas penetrou o firewall do consórcio; ele abriu as comportas de uma represa que os magnatas acreditavam ser indestrutível.

Arthur digitou a sequência final. O sistema de defesa, um software de segurança de elite, tentou bloquear a intrusão com firewalls redundantes, mas Arthur, que conhecia as táticas de cerco melhor do que qualquer programador contratado, contornou as barreiras usando a própria assinatura digital do consórcio como chave-mestra. Com um clique, ele disparou a ordem de venda automatizada dos ativos que sustentavam a fachada das operações internacionais do grupo. Nos gráficos, as linhas vermelhas despencaram. Não era uma oscilação; era uma hemorragia financeira. Em cada transação, ele anexou o link público com a prova da fraude geológica sob o Hospital Monte-Claro, revelando que a falência do hospital era uma farsa orquestrada para esconder depósitos bilionários de terras raras.

Enquanto o mercado entrava em colapso, a ala administrativa do Hospital Monte-Claro fervia com o odor acre de papel queimado e suor frio. Beatriz Monte-Claro estava de pé atrás de sua mesa, os dedos cravados na madeira polida, enquanto dois investidores do consórcio tentavam intimidá-la para que assinasse uma transferência de ativos de emergência.

— O consórcio está se fragmentando, Beatriz — disse o mais velho, um homem de voz metálica que tentava esconder o tremor nas mãos. — Se você não liberar o capital agora, o hospital será liquidado antes do amanhecer.

Antes que ela pudesse responder, a porta do escritório abriu-se com um estalo seco. Arthur Valente entrou. Sua presença era uma lâmina desembainhada que cortou o pânico da sala. Ele colocou um tablet sobre o tampo, exibindo o gráfico de queda livre das ações do consórcio.

— Eles não vão a lugar nenhum — Arthur afirmou, caminhando até a mesa. — O navio não está apenas afundando; eu mesmo abri o casco abaixo da linha d’água.

Os investidores empalideceram ao ver a prova da fraude exposta em tempo real. Arthur não precisou gritar; a autoridade em sua voz era absoluta, transformando Beatriz, em segundos, de uma administradora acuada na única líder capaz de manter as portas do hospital abertas enquanto o consórcio se desintegrava.

Mais tarde, escondido atrás da interface de administrador que roubara de Salles, Arthur infiltrou a reunião virtual de emergência do consórcio. O Coronel Valeriano tentava manter o decoro, mas a tensão era palpável. Arthur injetou o primeiro arquivo: a prova contábil, selada e irrefutável, de que Valeriano havia desviado fundos de contingência para cobrir suas perdas pessoais em paraísos fiscais, deixando os outros sócios expostos à auditoria federal.

— Valeriano, você usou nosso capital para suas dívidas e nos deixou na linha de tiro? — a voz de um sócio soou como um chicote. A desconfiança explodiu; os sócios começaram a se acusar, destruindo a unidade da organização. Valeriano, percebendo que estava sendo caçado pelo próprio sistema que ele mesmo criara, olhou para a câmera, procurando uma sombra que explicasse a origem do vazamento.

Arthur observava tudo com a frieza de um predador. O bipe metálico de uma mensagem criptografada interrompeu o silêncio de seu apartamento. O remetente era um fantasma de seu passado. "O sucesso tem um preço, Valente. O seu, no entanto, está prestes a ser cobrado. Jantar, às oito. Endereço anexo. Não se atrase para o seu próprio funeral."

Era uma armadilha, grosseira e arrogante, desenhada para atraí-lo para um ambiente controlado. Arthur leu o convite e, sem hesitar, começou a preparar seu próprio contramovimento. Ele sabia que o jantar marcaria o fim do reinado de Valeriano.

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