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Chapter 3: O Leilão da Redenção

Arthur interrompe o leilão e expõe a fraude de Salles usando provas digitais, forçando o cancelamento da licitação e humilhando o antagonista publicamente. A vitória, porém, revela que Salles é apenas um peão de uma rede maior, escalando o conflito para um nível internacional.

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O Leilão da Redenção

O ar na sala de leilões do Hospital Monte-Claro estava denso, carregado com o perfume caro das elites e o suor frio de quem pressente o abate. Ricardo Salles, impecável em seu terno sob medida, girava uma caneta de ouro entre os dedos com a arrogância de quem já possuía a escritura do legado dos Monte-Claro. Ele não olhava para a plateia; seus olhos estavam fixos em Beatriz, que permanecia paralisada atrás da mesa de controle, contida pela presença letal do segurança à paisana. O homem mantinha a mão sob o paletó, desenhando o volume de uma arma contra as costelas da administradora.

— Cinquenta milhões pela ala leste — anunciou o leiloeiro, a voz trêmula de antecipação. — Dou-lhe uma, dou-lhe duas...

Arthur Valente não esperou a terceira. Ele caminhou pelo corredor central com a cadência de quem domina o terreno, ignorando os risinhos contidos dos investidores que o viam como o pária falido tentando, pateticamente, adiar o inevitável. Ao chegar à frente, Arthur não gritou. Sua presença, contudo, parecia sugar o oxigênio da sala. O riso morreu quando ele parou diante da mesa principal e conectou um pequeno drive ao sistema de áudio e vídeo.

— O lance do senhor Salles é baseado em uma licitação viciada — a voz de Arthur ecoou, fria e sem oscilações. — E, mais do que isso, em uma fraude contábil que envolve o desvio de ativos de um consórcio que ele finge representar.

Salles soltou uma risada seca, mas o brilho em seus olhos oscilou. — O indigente veio pedir esmola antes do fechamento? Segurança, retire o lixo. Não estrague a celebração.

O segurança deu um passo à frente, a mão fechando-se sobre a arma. Arthur não recuou. Com um gesto preciso, ele ativou o projetor. A tela atrás do púlpito, antes exibindo gráficos de valorização artificial, tornou-se um espelho da desonestidade de Salles. O fluxo de transações de lavagem de dinheiro, ligado diretamente ao consórcio internacional, explodiu em colunas de dados irrefutáveis. Assinaturas digitais, contratos de fachada e o rastro do desvio de verbas públicas destinado a cobrir dívidas de jogos em Macau foram expostos em tempo real.

O pânico no rosto de Salles foi imediato, uma máscara de arrogância que se desfez em segundos. O segurança, vendo a plateia de investidores se levantar em um murmúrio de indignação, hesitou. A autoridade de Salles, construída sobre a ilusão de poder, desmoronou sob o peso da evidência técnica. O leiloeiro, pálido, travou o martelo no ar, incapaz de concluir a venda fraudulenta enquanto os investidores começavam a retirar seus suportes financeiros, o medo de serem associados ao escândalo sobrepujando qualquer lealdade.

Beatriz, finalmente livre da pressão física, recuperou o fôlego, seus olhos encontrando os de Arthur. Ele não buscava gratidão; ele buscava o controle. Salles, humilhado e isolado, recuou para um canto da sala, o suor escorrendo por sua têmpora. Ele não parecia um homem derrotado, mas alguém que acabara de ser empurrado para um tabuleiro onde as regras eram ditadas por entidades muito mais perigosas.

Salles sacou o celular com as mãos trêmulas e discou. Enquanto falava em tom urgente, ele mantinha o olhar fixo em Arthur — um sorriso predatório, destituído de qualquer resquício de derrota. Arthur observou a cena com frieza, entendendo que aquela vitória era apenas o primeiro teste. O hospital estava salvo da falência imediata, mas o consórcio, agora exposto, não perdoaria a intromissão. A guerra mudara de nível, e enquanto a elite da cidade começava a sussurrar o nome de Arthur como alguém a ser temido, ele sabia que o verdadeiro inimigo estava apenas começando a se mover nas sombras.

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