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Chapter 2: A Prova do Crime

Arthur infiltra o sistema administrativo do hospital, obtém a prova da fraude de Salles e confronta o antagonista no momento crítico antes do leilão. A situação escala para uma ameaça armada contra Beatriz, forçando Arthur a revelar a evidência sob risco de vida.

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A Prova do Crime

O ar-condicionado do setor administrativo do Hospital Monte-Claro zumbia com uma frieza clínica, um contraste cortante com o suor frio que escorria pela espinha de Beatriz. Arthur Valente, porém, movia-se com a precisão de um cirurgião em uma zona de guerra. Seus olhos estavam fixos na tela do servidor central, onde os dados da licitação flutuavam em uma sequência de números que, para qualquer outro, seriam apenas burocracia, mas que para ele eram a assinatura de uma fraude monumental.

— Salles não está apenas comprando o hospital, Beatriz — Arthur disse, a voz baixa, desprovida de hesitação. Seus dedos dançavam sobre o teclado, contornando firewalls com uma cadência militar que ele não exercia há anos. — Ele está usando este leilão para ocultar uma dívida de alto risco com um consórcio internacional. Se ele conseguir sua assinatura de cessão hoje, este hospital se tornará uma fachada de lavagem de dinheiro em menos de quarenta e oito horas.

Beatriz sentiu o chão oscilar. Ela tentou argumentar, mas Arthur a silenciou com um gesto seco. O dispositivo em sua mão, um pequeno drive de dados, brilhava com a luz azul do servidor. Era a confissão digital que ele precisava para destruir a reputação de Ricardo Salles.

— Por que você está me ajudando? — ela sussurrou, a voz embargada pela urgência. — Dizem que você voltou sem nada. Que você é um homem quebrado.

Arthur não respondeu. Ele estava ocupado sobrepondo o código de segurança de Salles. O silêncio no escritório foi subitamente quebrado pelo som de passos pesados no corredor. Arthur não hesitou. Ele desconectou o drive, guardou-o no bolso interno do paletó gasto e empurrou Beatriz para a sombra de uma estante de arquivos, bem no momento em que a porta se abria.

Dois seguranças particulares, homens com a postura rígida de quem trabalhava fora da lei, entraram no recinto, seguidos de perto por Ricardo Salles. O magnata exalava o perfume caro de quem não conhece a derrota. Ele parou diante da mesa de mogno, seu sorriso de predador exibindo dentes brancos e calculados.

— O leilão começa em três minutos, Beatriz — Salles sibilou, sua voz destilando uma condescendência venenosa. Ele não olhou para o canto da sala, tratando Arthur como um ruído de fundo que ele já havia descartado. — O consórcio não gosta de esperar. Assine o termo de cessão. Não torne o fim da sua linhagem uma nota de rodapé trágica.

Beatriz, encurralada, olhou para a caneta sobre a mesa. Sua mão tremia. Salles, impaciente, fez um sinal sutil. O segurança mais próximo, um homem de ombros largos, deu um passo à frente e, com um movimento quase invisível, sacou uma pistola 9mm. O cano da arma encostou-se à cintura de Beatriz, sob o tecido fino de seu vestido.

— O jogo acabou, Arthur — disse Salles, alto o suficiente para que o eco da sala amplificasse o deboche. — Sei que você está aí. Saia e veja como os homens de verdade encerram um negócio.

Arthur emergiu das sombras com uma calma gélida que fez Salles hesitar por um milésimo de segundo. Ele não parecia um indigente; parecia um homem que já havia visto a morte de perto e não a temia.

— O leilão não vai acontecer, Salles — disse Arthur, caminhando em direção ao centro da sala. — Porque o consórcio que você serve não aceita parceiros que perdem o controle da informação.

Salles riu, um som seco e sem humor. — Você é um nada, Valente. Um fantasma que insiste em assombrar uma casa que já foi vendida.

Arthur parou a centímetros de Salles. O ambiente parecia ter encolhido. Com um movimento rápido, ele conectou o drive a um terminal de exibição na parede. A tela piscou, revelando os registros de transferência bancária, os contratos de fachada e a assinatura digital de Salles ligando-o diretamente ao consórcio.

O servidor digital estava aberto, expondo a fraude para quem quisesse ver. Salles empalideceu, o sorriso congelando em uma máscara de horror. Mas o segurança não recuou. Pelo contrário, ele apertou a arma contra as costas de Beatriz, forçando-a a dar um passo à frente. A prova estava ali, a verdade era irrefutável, mas a vida de Beatriz estava agora sob a mira direta de um homem que não tinha nada a perder. O silêncio na sala tornou-se absoluto, pesado como uma sentença.

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