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Chapter 12: O Retorno do Rei Dragão

Arthur consolida a retomada do Restaurante Valente, confronta Marcos Viana pela última vez, garantindo sua ruína, e recebe uma nova pista sobre a corporação superior que orquestrou a queda de sua família, preparando-se para um conflito de escala maior.

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O Retorno do Rei Dragão

O silêncio no Restaurante Valente não era mais o vazio da falência, mas a quietude densa de uma fortaleza que acabara de trocar de mãos. Arthur observava o salão principal. Onde antes via o descaso das mesas empoeiradas e a desonra imposta por Marcos Viana, agora via o tabuleiro onde a elite da cidade, outrora arrogante, teria que dobrar os joelhos. Dona Helena, com as mãos trêmulas, mas os olhos brilhando com uma resolução há muito esquecida, organizava os utensílios de prata resgatados do depósito de penhores. Arthur caminhou até a cozinha, o coração daquele império. Ele desamarrou o avental surrado que usara durante meses como um disfarce de miséria. O tecido, manchado e pesado, representava a humilhação que ele suportara para proteger o legado de seu pai. Com um movimento deliberado, ele dobrou o avental e o colocou dentro de uma caixa de vidro, selando-o como uma relíquia de guerra. Aquela máscara não era mais necessária.

— O senhor Alberto está onde merece, Arthur — disse Helena, aproximando-se. Ela não precisava perguntar sobre o resgate do patriarca; o alívio no rosto de Arthur dizia tudo. — O restaurante é nosso novamente. A documentação está limpa, o selo real foi validado e a cidade inteira sabe que os Valente não foram apagados.

Arthur olhou pela janela. Lá fora, os transeuntes paravam para observar a fachada, reconhecendo, pela primeira vez em anos, a dignidade que o nome Valente carregava. Ele sabia que aquele era apenas o alicerce. O verdadeiro desafio exigia que ele olhasse para o abismo que ainda restava: a corporação superior que movia os fios de Alberto como uma marionete.

O ar na clínica privada era estéril, impregnado com um cheiro metálico que contrastava violentamente com as memórias de temperos e fogo do restaurante. Arthur caminhou pelo corredor de mármore, seus passos ecoando como uma sentença. No quarto 402, seu pai jazia sobre lençóis brancos, uma sombra do patriarca que um dia comandou os negócios da família. A pele estava pálida, marcada pelo tempo de cativeiro e pelo desdém dos carcereiros de Alberto. Ao ver Arthur, o homem tentou se sentar, a respiração curta, mas a chama em seus olhos permanecia indomável.

— Você voltou — sussurrou o pai, a voz rouca. — O selo... você o recuperou?

Arthur retirou do bolso interno do paletó o anel de sinete da família, o metal pesado e frio contra sua palma. O brilho da peça, esculpida com o emblema do dragão, parecia pulsar sob a luz artificial. Ele o colocou na mesa de cabeceira.

— Alberto está preso. O restaurante é nosso — disse Arthur, mantendo o tom controlado. — Mas ele era apenas um peão, pai. O contrato que encontrei no leilão... as assinaturas levam a uma estrutura corporativa que se ramifica para além destas fronteiras.

O pai estendeu a mão trêmula e tocou o anel, depois entregou a Arthur um pequeno drive criptografado. — Eles não são apenas empresários, Arthur. São os donos da infraestrutura desta cidade. Se você quer o trono, precisará queimar as raízes deles.

Com as provas em mãos, Arthur dirigiu-se ao escritório de Marcos Viana. O ambiente, antes um santuário de poder, agora parecia uma tumba empoeirada. Viana estava sentado atrás de sua mesa de mogno, as mãos trêmulas sobre uma pilha de documentos. Ele tentou se levantar, mas suas pernas falharam.

— O jogo acabou, Marcos — disse Arthur, sua voz calma cortando o ar. — A elite já retirou o apoio. As autoridades têm os registros da lavagem de dinheiro. Você não é mais um magnata; é um passivo contábil.

Viana soltou uma risada seca, tentando retomar uma pose de autoridade que não possuía mais. — Podemos negociar, Valente. Tenho contas em paraísos fiscais, participações em empresas que você nem imagina. Se você enterrar esses arquivos, eu desapareço.

Arthur não respondeu com palavras. Ele apenas colocou o selo real sobre a mesa, o som do metal contra o mogno soando como um martelo de juiz. Com um gesto, ele anulou os últimos contratos de Viana com a prefeitura, transformando o magnata em um pária. Viana caiu sobre a mesa, derrotado, enquanto Arthur saía, deixando-o com a única opção que lhe restava: o exílio ou a ruína total.

Horas depois, na cobertura do Edifício Solaris, Arthur observava São Paulo pulsar lá embaixo. A cidade, um formigueiro de luzes artificiais, parecia submissa. Ele deixara de ser uma sombra para se tornar a própria estrutura do poder. Seu pai estava seguro, e o arquiteto da miséria de sua família apodrecia em uma cela. No entanto, o vazio deixado pela queda de Alberto não era de paz, mas de expectativa. A corporação superior ainda movia as peças no tabuleiro, observando cada um de seus movimentos com a curiosidade fria de quem estuda um vírus.

O celular sobre a mesa de mogno vibrou. Não era uma notificação comum; era um sinal codificado, uma frequência que ele não ouvia desde que seu pai ainda era o soberano. Arthur atendeu, mantendo o olhar fixo no horizonte. A guerra global estava apenas começando, e o Dragão estava pronto para o próximo nível.

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