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Chapter 6: Chapter 6

Lucas confronta e neutraliza a resistência de Arantes, assumindo o controle da cirurgia de Roberto. Ele estabiliza o patriarca, garantindo sua dependência, enquanto Beatriz revela uma traição interna no conselho durante a crise. O capítulo termina com Lucas decidindo confrontar a narrativa falsa que a família tenta criar para salvar a holding.

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Chapter 6

O corredor da ala de elite do Hospital São Lucas não cheirava apenas a antisséptico; cheirava a falência iminente. O ar estava pesado, saturado pela eletricidade estática de uma fusão bilionária que desmoronava em tempo real. Lucas caminhava pelo mármore, o som de seus passos não era de um subordinado, mas de um executor.

À frente, o bloco cirúrgico estava selado. O Dr. Arantes, o cirurgião-chefe cuja reputação era tão inflada quanto o seu ego, bloqueava a entrada, o rosto suado traindo o pânico que a sua postura arrogante tentava esconder.

— Você não entra, Lucas. Sua presença aqui é uma violação de protocolo — disparou Arantes, a voz falhando levemente. Ele mantinha as mãos nos bolsos, mas Lucas via o tremor. O prontuário, a prova do erro de dosagem que Arantes tentara enterrar, agora era a coleira que Lucas segurava.

Lucas não parou. Ele sacou o tablet com a naturalidade de quem saca uma arma. O brilho da tela iluminou o rosto de Arantes, revelando a assinatura do médico na prescrição de anticoagulante — um erro crasso, uma sentença de morte assinada em papel timbrado.

— O protocolo, Arantes, é a única coisa que separa você de uma cela de prisão agora — a voz de Lucas era um corte frio. — O CFO está instável. A fusão está sangrando tanto quanto ele. Saia da frente ou eu mesmo chamo a polícia para garantir que o prontuário chegue às mãos certas.

Arantes recuou, o rosto perdendo a cor. A hierarquia do hospital, construída sobre sobrenomes e poder, desmoronou diante da realidade biológica da mesa de operação. Lucas entrou na sala. O silêncio que o recebeu foi absoluto, ensurdecedor, carregado de um terror reverente. Os médicos que antes o zombaram agora desviavam o olhar, temendo que a competência de Lucas os expusesse.

Dentro da Sala 01, o monitor cardíaco emitia um bipe errático. Roberto, o patriarca, era apenas um corpo vulnerável, dependente da habilidade de quem ele sempre humilhara. Lucas lavou as mãos, ignorando o burburinho da equipe.

— Dosagem primária, erro de amador — murmurou Lucas, cortante. — Se eu não assumir, o óbito será declarado em dez minutos. E o seu nome, Arantes, será o único na certidão de óbito.

Lucas iniciou a manobra. Cada movimento era um exercício de dominância técnica. Ele não apenas salvava uma vida; ele reescrevia a dependência do Patriarca. Quando o monitor estabilizou, o bipe errático transformou-se em um ritmo constante e triunfante. A equipe ao redor o observava como se ele fosse um estranho que acabara de dominar as leis da física.

Minutos depois, na sala de espera da UTI, Beatriz o aguardava. Ela não esperou que ele se acomodasse. Empurrou um tablet contra o peito dele, os olhos brilhando com uma urgência que não era apenas preocupação familiar, mas medo puro.

— O CFO sobreviveu, mas o conselho não vai esperar — disse ela, a voz baixa. — O Grupo Viana já tem os logs de acesso interno. Alguém entregou as chaves do cofre digital enquanto meu pai estava na mesa. O traidor está no nosso círculo interno.

Lucas deslizou os dedos pela tela, processando os dados em milissegundos. Não eram erros de sistema; eram permissões de superusuário concedidas manualmente durante o pico da crise.

— Seus tios? — perguntou Lucas, sem desviar o olhar dos logs.

— Eles são incompetentes demais para um ataque tão sofisticado — Beatriz respondeu, o perfume caro contrastando com o ambiente estéril. — Precisamos de um pacto, Lucas. Você me dá a precisão clínica para manter meu pai vivo e o controle sobre os logs, e eu garanto que você não seja descartado quando a poeira baixar.

Eles selaram o acordo com um olhar. Mas, ao saírem para o hall da ala VIP, a realidade da elite tentou se impor. Os conselheiros, ignorando o papel de Lucas, já preparavam a narrativa: o sucesso era do Dr. Arantes. O conselho precisava de uma história de estabilidade para barrar a compra hostil do Grupo Viana.

Lucas parou diante das portas duplas, o tablet em punho. Ele não permitiria que a família roubasse a única moeda que ele possuía: a verdade clínica. Enquanto os parentes de Roberto se aproximavam com sorrisos falsos para as câmeras da imprensa que começavam a cercar o hospital, Lucas sabia que sua próxima jogada não seria apenas salvar um homem, mas destruir a reputação de quem ousasse ignorar seu poder.

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