Mercado de Sombras
O brilho dourado da notificação de promoção ao Tier de Elite flutuou diante dos olhos de Kaelen, mas o som que ecoou no dormitório não foi de celebração. Foi o apito metálico e gélido de saldo insuficiente.
— Promoção confirmada. Saldo atual: -3.850 créditos. Taxa de manutenção de elite aplicada: 500 créditos. Prazo para liquidação: 24 horas — a voz sintética da Academia cortou o ar, desprovida de qualquer humanidade.
Kaelen cerrou os punhos. A "promoção" não era um prêmio; era uma forca com prazo de validade. Antes que ele pudesse processar o déficit, a porta deslizante sibilou. Mestra Elara entrou, o zumbido de um rastreador de energia em mãos. Ela não trazia parabéns, apenas o olhar clínico de quem disseca um espécime.
— Sua assinatura térmica na arena foi... peculiar, Kaelen — ela disse, invadindo seu espaço pessoal. — Ninguém sobe de nível drenando o núcleo daquela forma sem um catalisador proibido. Onde você o escondeu?
Kaelen sentiu o ar rarefeito da sala de elite pesar sobre seus ombros. Elara girou o dispositivo, projetando um holograma de seu combate: faíscas de energia pura que desafiavam a eficiência padrão.
— É apenas uma técnica de otimização, Mestra — mentiu ele, a garganta seca. O sistema enviou um novo aviso em neon vermelho: Saldo insuficiente. Dedução em curso.
— A Academia não tolera otimizações que custam a integridade do chassi — ela murmurou, os olhos estreitados. — Mas, se você quer sobreviver ao próximo ciclo, vai precisar de mais do que mentiras. O próximo degrau não é um duelo. É uma simulação de combate real. Se o seu Mech falhar, a dívida será a menor das suas preocupações.
Horas depois, Kaelen estava no subsolo do Mercado de Sombras, um antro de ozônio e desespero. Ele precisava de um Estabilizador de Pulso de Fluxo. Sem ele, a próxima sobrecarga térmica o carbonizaria dentro do cockpit.
— O lance atual é de 3.500 créditos — a voz do leiloeiro ecoou.
Valerius, impecável em seu uniforme de linhagem pura, ergueu uma mão enluvada.
— 3.800. Por uma peça que Kaelen claramente não sabe instalar sem explodir o próprio cockpit.
Kaelen sentiu o calor subir pelo pescoço. Ele tinha exatos 4.000 créditos, o resto de sua margem de sobrevivência. Se ele gastasse tudo, não teria para a manutenção, mas se perdesse a peça, não teria Mech para a prova. Ele deu um passo à frente, ignorando o escárnio.
— 4.000 créditos — disse ele. O silêncio foi absoluto. Valerius hesitou, a máscara de superioridade trincando. Ele não esperava que Kaelen fosse capaz de tamanha loucura financeira.
De volta à sua oficina, o zumbido do reator de fusão era uma nota dissonante. O núcleo de estabilização, um cilindro de liga de tântalo marcado com selos de descarte militar, repousava sobre a bancada. Ele tinha quarenta minutos. Se Elara descobrisse a integração de hardware não registrado, ele seria marcado para reciclagem.
— Vamos lá — murmurou, encaixando o núcleo. O metal estalou, uma resistência física brutal. O painel de controle piscou em âmbar: Erro de Sincronia: Carga Térmica Incompatível.
Kaelen ignorou o alerta, canalizando sua essência vital para o circuito de interface. A dor foi imediata, uma agulha fria perfurando sua espinha enquanto a técnica de Conversão de Estresse Térmico forçava o sistema a aceitar a nova peça. O Mech rugiu, uma assinatura térmica nova, instável e perigosa.
Ele estava pronto, mas o preço fora total. Se o componente falhasse, ele não teria nada. O sistema da Academia disparou o sinal de início. Ele não estava mais contra alunos; a simulação de combate real havia começado, e o sistema da Academia agora era seu maior inimigo.