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Chapter 1: Dívida de Sangue e Aço

Kaelen, um cadete endividado, utiliza um registro proibido descoberto em um componente descartado para sobrecarregar seu Mech obsoleto e sobreviver a uma prova de ranking, garantindo sua permanência na Academia enquanto enfrenta a humilhação pública de seu rival, Valerius.

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Dívida de Sangue e Aço

O painel do meu Mech, um modelo Série-4 apelidado de "Sucata" pelos veteranos, não emitia sons; ele emitia avisos de falência. O marcador de essência vital pulsava em um vermelho doentio, e o contador de créditos, integrado ao sistema de diagnóstico da Academia, exibia um saldo negativo que crescia a cada segundo de ociosidade.

— Kaelen, se esse trambolho não atingir a cota de pressão mínima em dez segundos, a expulsão é automática — a voz metálica do instrutor ecoou pelo Campo de Provas.

Ajustei os cabos neurais, sentindo o atrito frio contra a minha nuca. O ar no hangar era pesado, carregado com o cheiro de ozônio e o desprezo silencioso dos cadetes da elite. Valerius, posicionado em seu Mech de elite na baia ao lado, observava com um sorriso de escárnio. Eu vi o desvio no fluxo de dados do meu painel: ele estava drenando a largura de banda da rede local da arena, roubando a estabilidade da minha conexão para inflar os parâmetros dele. Ele não queria apenas me vencer; queria que meu Mech sofresse uma falha crítica de diagnóstico diante de toda a Academia.

Fugi para a oficina de manutenção, o coração batendo no ritmo frenético dos alarmes. O terminal marcava -4.200 créditos. Dez minutos para o encerramento do ciclo. Se eu não atingisse a nota de corte, a Academia confiscaria cada vestígio de essência vital que eu tinha investido até ali. Com as mãos trêmulas, abri o compartimento do núcleo. Lá, escondido em um componente descartado, encontrei o registro proibido. A placa de circuito corrompida vibrava contra meus dedos, contendo a técnica de 'Conversão de Estresse Térmico'. Em vez de dissipar o calor, a técnica forçava o excesso de volta para o núcleo, convertendo a instabilidade em um pico de potência bruta.

— É suicídio ou ascensão — sussurrei.

Instalei o fragmento. O Mech soltou um chiado metálico. As juntas brilharam em um tom arroxeado de sobrecarga, mas o medidor de saída de energia saltou de 40% para 85% em um segundo. Mestra Elara surgiu na porta, seus olhos frios avaliando a manobra com um interesse perigoso. Ela não me denunciou; ela apenas observou, testando se eu era um ativo ou um erro estatístico.

De volta à arena, o ar vibrava. Valerius, em seu protótipo de classe A, ria enquanto os monitores projetavam meu saldo: 0,02 créditos. O sinal de início soou. O Mech de Valerius disparou com a fluidez de um predador, mas eu não buscava a elegância. Empurrei o acelerador além do limite. O som de engrenagens protestando preencheu o estádio. Uma aura azulada, instável e densa, envolveu meu chassi. Eu não apenas acompanhei o ritmo da elite; eu o ultrapassei, forçando meu Mech a uma velocidade que o sistema não deveria suportar.

Quando cruzei a linha de chegada, o painel de dívida piscou em vermelho: Saldo Insuficiente. O Mech soltou um chiado metálico e o sistema ameaçou colapsar. Eu havia vencido a prova, mas o custo era óbvio: meu corpo estava exausto, e a máquina, à beira da fusão. Valerius pousou seu Mech à minha frente, a sombra de sua máquina cobrindo a minha. Ele jogou uma moeda de ouro aos meus pés, um insulto que ressoou no silêncio da arena.

— Aposte sua dignidade, se é que ainda tem alguma — disse ele, selando o desafio para o próximo ciclo. A escada de poder acabara de ficar mais íngreme.

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