Novel

Chapter 1: O Preço da Discrição

Beatriz é encurralada por um credor predatório em um baile de gala, ameaçando expor seu passado. Rafael, seu ex-traidor, intervém forjando um noivado estratégico para salvar sua própria reputação perante o conselho administrativo, oferecendo proteção a Beatriz em troca de sua discrição e imagem pública.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

O Preço da Discrição

O salão do Hotel Unique não era um ambiente; era um tribunal. Sob o brilho dos lustres de cristal, a elite paulistana negociava reputações com a mesma frieza com que Beatriz calculava os riscos de sua própria sobrevivência. Ela ajustou o decote do vestido de seda escura — uma armadura de discrição — e sentiu o peso do relógio de pulso. Faltavam três horas para o prazo final de uma dívida que ela não podia pagar.

— O tempo é um ativo que você está desperdiçando, Beatriz — a voz de Otávio, um investidor cujos métodos eram tão predatórios quanto sua fortuna, soou como uma lâmina atrás dela. — A diretoria não aceitará mais desculpas. Se o aporte não for liquidado até o amanhecer, o dossiê sobre sua vida anterior... digamos que ele encontrará um destinatário muito interessado na imprensa de fofocas.

Beatriz não se virou. Ela manteve o olhar fixo em um ponto neutro do salão. O medo era um luxo proibido; seu filho, em casa, era a única realidade que importava. A ameaça de Otávio não era apenas financeira; era o fim de seu anonimato, a destruição do refúgio que ela construíra com tanto sacrifício.

— Você blefa, Otávio — ela respondeu, a voz firme, desprovida de qualquer tremor. — Destruir minha reputação profissional custaria aos seus sócios mais do que a dívida que você alega. Eles precisam da minha consultoria para a fusão da próxima semana.

— Eles precisam de uma consultora, não de uma fraude — ele rebateu, dando um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal. — Segredos têm o hábito de emergir quando o dinheiro tenta enterrá-los. Não seria uma pena se o seu pequeno refúgio fosse exposto antes do amanhecer?

Antes que ela pudesse responder, uma sombra se projetou sobre eles. Rafael. O nome era uma cicatriz que ela tentara manter oculta sob camadas de pragmatismo. Ele surgiu com a precisão de um predador que conhece o território, impecável em um smoking que parecia uma segunda pele.

— O senhor está ocupando o tempo da minha noiva com trivialidades, Roberto — a voz de Rafael era baixa, desprovida de afetação, mas carregada de uma autoridade que fez o outro homem recuar instintivamente.

Beatriz sentiu o choque percorrer sua espinha. O homem que ela tentara esquecer, o arquiteto de uma traição que quase a destruíra anos antes, estava ali, reivindicando-a como se ela fosse uma extensão de seu império.

— Noiva? — Otávio hesitou, os olhos alternando entre a frieza de Rafael e a rigidez de Beatriz.

— Se houver qualquer outro incômodo à minha futura esposa, considerarei isso uma quebra de contrato com a minha própria empresa — Rafael disse, dando um passo lateral, forçando Otávio a se retirar com um aceno nervoso.

Assim que o credor se afastou, Rafael conduziu Beatriz para o terraço privativo. O ar era rarefeito, carregado pelo peso das intenções não ditas. Abaixo deles, São Paulo era um emaranhado de luzes indiferentes.

— Você não tem outra saída — disse ele, a voz desprovida de qualquer calor. — O fundo de investimento que te persegue não vai parar. Eles querem o seu silêncio sobre a auditoria, e eles têm meios para destruir a sua reputação antes que o sol nasça.

Beatriz sentiu a pressão invisível de uma aliança que não existia.

— E o que você ganha, Rafael? — ela perguntou, mantendo a voz firme, apesar da urgência que o relógio em seu pulso ditava. — O conselho administrativo hostil não aceitaria um noivado sem um motivo estratégico.

— Eles querem estabilidade, e eu preciso de um nome que não esteja manchado por escândalos — ele respondeu, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse o cheiro de sândalo e poder que sempre o acompanhava. — Você é a consultora mais discreta da cidade. Você é o meu escudo, e eu serei o seu.

Beatriz olhou para o horizonte, pensando na segurança que aquele contrato oferecia. Era um pacto de vidro, perigoso e transparente, mas era a única forma de silenciar os predadores que ameaçavam o que ela mais amava. Rafael segurou o braço de Beatriz e sussurrou:

— O contrato é simples, Beatriz. Você me dá a sua imagem, e eu garanto que ninguém toque no que é seu.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced