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Chapter 3: O Documento Esquecido

Elena invade o escritório de Ricardo em busca de provas sobre sua chantagem, mas descobre que Ricardo também possui um segredo de paternidade oculto. A descoberta os coloca no mesmo nível de vulnerabilidade, mas a chegada da mãe de Ricardo interrompe a trégua, elevando a pressão social.

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O Documento Esquecido

O escritório de Ricardo Xavier, no trigésimo andar, era uma redoma de silêncio absoluto. O tique-taque do relógio de pêndulo, imponente sobre a lareira de mármore, soava como uma contagem regressiva para a ruína de Elena. Ela sentiu o peso do olhar dele enquanto caminhava até a mesa de mogno. O contrato de noivado, assinado há menos de uma hora sob a pressão da gala, ainda parecia queimar em sua bolsa, mas a urgência agora era outra: sobrevivência pura.

— Você foi eficiente em distrair Alberto — Ricardo começou, sem desviar os olhos dos monitores que exibiam o fechamento da bolsa de valores. Ele não estava elogiando; estava avaliando um ativo. — Mas não me diga que sua utilidade se resume a encenar um romance conveniente enquanto meus acionistas questionam minha sanidade por ter confrontado aquele abutre.

Elena não vacilou. Ela sabia que, para ele, sua vulnerabilidade era apenas uma falha de sistema a ser corrigida. Ela se aproximou da mesa, o salto ecoando com precisão militar.

— Alberto não é apenas um credor, Ricardo. Ele é um facilitador. Se ele tem o dossiê que ameaça minha vida, ele tem as chaves para os portões que você quer abrir. Eu sei quem o financia. O investigador que o segue não trabalha para ele, mas para o seu próprio conselho administrativo.

O silêncio que se seguiu foi cortante. Ricardo girou a cadeira, a expressão fria desmoronando em uma vigilância aguçada. Ele se levantou, contornando a mesa com a lentidão de um predador que reconhece um igual. Parou a centímetros dela, o perfume amadeirado invadindo seu espaço pessoal. Sem aviso, ele retirou um talão de cheques e, com uma caneta de metal pesado, preencheu um valor que faria as dívidas de Elena desaparecerem instantaneamente.

— Aceite isso como um adiantamento pela sua discrição — disse ele, a voz desprovida de qualquer emoção que não fosse a de um estrategista. — Se você vai ser minha noiva, não pode ter credores batendo à porta.

Elena encarou o cheque. Era uma compensação emocionalmente específica, uma forma de controle disfarçada de generosidade, mas ela aceitou. Ela precisava daquela margem de manobra para proteger o que ele ainda não sabia que ela escondia.

Uma chamada urgente no interfone forçou Ricardo a se retirar, deixando-a sozinha no escritório. A oportunidade era breve, perigosa e necessária. Elena não hesitou. O tempo era um luxo que ela não possuía. Se ele a usava como um peão, ela precisava conhecer o tabuleiro.

Ela deslizou pelo escritório, as mãos tremendo levemente enquanto abria a primeira gaveta. Vazia. Na segunda, documentos corporativos sobre a fusão. Foi na terceira, travada por um mecanismo discreto, que ela encontrou a resistência. Com a precisão de quem aprendeu a sobreviver nos bastidores de São Paulo, ela forçou a trava com um abridor de cartas de prata. A gaveta cedeu com um estalo seco.

Lá dentro, uma pasta de couro preto sem identificação. Elena a abriu, esperando encontrar apenas sua ficha financeira. O que viu, porém, fez o ar faltar em seus pulmões. Não era apenas a sua vida exposta ali; era um dossiê, detalhado e frio, sobre a existência de um herdeiro — um filho que Ricardo nunca soube que teve. Ele não a estava apenas chantageando; ele estava espelhando a própria vulnerabilidade dela para garantir que ela nunca pudesse traí-lo.

— Você sempre teve mãos rápidas, Elena. É uma pena que o seu julgamento não acompanhe a sua agilidade.

A voz de Ricardo veio da porta, grave e carregada de uma autoridade que fez a espinha de Elena gelar. Ele não avançou; apenas permaneceu ali, observando-a. Elena não recuou. Ela jogou a pasta sobre a mesa, o impacto soando como um tiro.

— Você me chantageou com a minha vida, Ricardo. É justo que eu saiba o tamanho da sua hipocrisia — ela rebateu.

Ricardo aproximou-se, abrindo a pasta e apontando para uma folha específica. O nome do chantagista — o mesmo homem que os perseguia — brilhava como uma sentença. Eles não eram apenas parceiros de um contrato falso; eram alvos do mesmo inimigo, unidos por segredos que, se revelados, destruiriam ambos. Antes que pudessem selar uma trégua, a porta se abriu novamente. A mãe de Ricardo, uma mulher cuja elegância era tão fria quanto seu desprezo, surgiu na entrada. Seus olhos percorreram a cena, parando na pasta aberta e na proximidade indevida dos dois.

— Você não parece o tipo de mulher que atrai homens como ele — ela disse, a voz cortante como vidro. — O que exatamente você está escondendo, Elena?

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