Rachaduras na Fachada
O escritório de Beatriz, na Vila Olímpia, não era mais um refúgio de consultoria estratégica; era uma redoma de vidro sob o escrutínio de um predador. Dois dias após o gala no Hotel Unique, o ar no ambiente parecia rarefeito. Rafael estava sentado atrás da mesa dela, folheando o dossiê da empresa com uma lentidão deliberada que transformava cada folha virada em um veredito.
Beatriz mantinha as mãos cruzadas sobre o colo, sentindo o peso do anel de noivado — uma algema de diamantes que ela aceitara para salvar sua dignidade financeira, mas que agora parecia apertar seu pulso. Sua postura era impecável, a máscara de consultora profissional
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