A Proteção que Queima
O ar no escritório de Ricardo não era apenas rarefeito; era uma armadilha. Helena parou diante da mesa de mogno, o som de seus saltos contra o piso de mármore ecoando como uma sentença. Ricardo não a encarou de imediato. Ele observava o horizonte cinzento de São Paulo, as mãos enterradas nos bolsos da alfaiataria impecável. Sobre a superfície polida da mesa, uma pasta de couro aberta exibia extratos bancários que Helena acreditava estarem sob sigilo absoluto.
— O afilhado tem uma escola cara, Helena — ele disse, a voz desprovida de qualquer inflexão. — E um sobrenome que não consta em nenhum regist
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