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Chapter 10: Consequências

Beatriz confronta Lucas sobre a vigilância de Leo. Lucas revela que sua proteção começou meses antes da descoberta da paternidade, provando que seu instinto de guardião superou sua calculada frieza. Eles decidem manter o noivado, agora como uma trincheira real contra Viana.

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Consequências

O escritório de Lucas era um aquário de vidro suspenso sobre o caos noturno de São Paulo. Beatriz, sentada na poltrona de couro que parecia feita para intimidar, sentia o peso do silêncio. Sobre a mesa de mogno, a caixa de recordações de Leo — fotos, a pulseira da maternidade, os primeiros desenhos — estava aberta. Lucas não a olhava. Ele observava a cidade, as mãos enterradas nos bolsos, a postura rígida de quem acabara de perder o controle sobre a própria narrativa.

— Você não tinha o direito — a voz de Beatriz saiu cortante, desprovida de qualquer hesitação. — O contrato era uma transação. Minha maternidade não era uma cláusula que você pudesse investigar.

Lucas virou-se. Não havia o brilho calculista do magnata que ela conhecera há cinco anos. Havia uma exaustão crua, quase violenta. Ele caminhou até a mesa, mas não tocou na caixa. Manteve as mãos longe, como se o conteúdo fosse radioativo.

— Você acha que isso é sobre controle, Beatriz? — Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela, não com agressividade, mas com uma urgência que a obrigou a sustentar o olhar. — Viana não está brincando. Ele não quer apenas a sua empresa. Ele quer qualquer alavanca que possa destruir a mim. Se ele descobrisse o Leo antes de mim, ele não teria usado um dossiê. Ele teria usado o medo.

Beatriz sentiu o sangue gelar. A menção ao nome de Viana, o mentor que orquestrara a ruína de sua carreira, trouxe a realidade de volta com a força de um soco. Ela se levantou, a dignidade sendo sua única armadura.

— E o que você pretende fazer? Usar o meu filho como moeda de troca no seu jogo de sucessão?

Lucas a conduziu até a tela de monitoramento na parede lateral. Com um comando, o feed mudou. Não eram gráficos de ações. Eram imagens em tempo real da escola de Leo, do playground, da entrada do prédio onde ela morava. O coração de Beatriz falhou uma batida.

— Você nos vigiava — ela sussurrou, horrorizada.

— Eu protegia o ativo mais valioso que descobri na sua vida, muito antes de saber que ele carregava o meu sangue — Lucas apontou para uma linha do tempo detalhada no monitor. — Viana começou a rastrear as lacunas na sua vida financeira há seis meses. Eu montei esse esquema de segurança preventivo. Eu não sabia que ele era meu filho, Beatriz, mas sabia que você era o alvo. O custo dessa proteção? O conselho da minha empresa já está questionando minha sanidade por causa dos ativos que desviei para garantir que ninguém chegasse perto de vocês.

Beatriz olhou para as telas. Cada ponto de acesso estava coberto. Não era vigilância de um predador; era a fortificação de um general. A revelação atingiu-a com mais força do que a descoberta da paternidade. Ele não a procurara por vingança. Ele a procurara porque, inconscientemente, já estava guardando o que era dele.

Ela tocou a mão dele, um gesto instintivo, quase involuntário. A pele de Lucas estava fria, mas o contato disparou uma corrente elétrica que nenhum contrato poderia prever. A aliança estratégica, antes uma farsa, tornara-se a única trincheira.

— O noivado perdeu o sentido, Lucas — ela disse, embora sua mão ainda estivesse sobre a dele. — Viana sabe que algo mudou. Se rompermos agora, ele sentirá o cheiro de sangue.

— O noivado não é mais uma farsa, Beatriz. É um escudo — ele respondeu, a voz rouca. — Se você for embora agora, Leo estará exposto. A única forma de sobrevivência para nós três é dobrar a aposta. O noivado precisa se tornar inquestionável.

Ele entregou-lhe um dossiê. Beatriz folheou as páginas: relatórios de segurança datados de meses atrás, ordens de proteção sob sigilo total. Lucas não a buscara por contrato; ele a buscara porque, no fundo, ele já estava guardando o filho que nem sabia ter. A proteção não fora uma reação tardia, mas um instinto inato.

Beatriz olhou para ele, vendo pela primeira vez não o homem que a abandonara, mas o homem que estava disposto a queimar o próprio império para mantê-los a salvo. O dever de mãe e o desejo da mulher colidiram, deixando apenas uma saída: o jogo continuaria, mas as regras haviam mudado para sempre.

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