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Chapter 1: O Preço da Elegância

Beatriz enfrenta a falência pública de sua empresa familiar em um baile de gala, apenas para ser encurralada por Lucas Montenegro, seu ex-amante, que oferece um noivado falso como resgate. Beatriz percebe que a proposta é uma chantagem que envolve a proteção de seu filho.

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O Preço da Elegância

O lustre de cristal no teto do Hotel Grand Palace não iluminava o salão; ele o julgava. Cada faceta de vidro parecia um olho frio, observando a ruína de Beatriz com uma precisão cirúrgica. Ela ajustou a alça de seda do vestido azul-noite, sentindo o tecido roçar sua pele como uma armadura que, embora impecável, mal conseguia conter o tremor sutil em seus dedos.

Ao redor, o zumbido das conversas da elite paulistana era um predador faminto. Quando o mestre de cerimônias subiu ao palco, o silêncio que se seguiu foi absoluto, pesado como uma sentença. O anúncio da liquidação dos ativos da construtora de sua família não foi feito com a solenidade de um funeral, mas com a voracidade de um banquete. O nome da empresa, erguido por gerações, estava sendo fatiado e servido em bandejas de prata para os abutres do mercado imobiliário.

— A liquidação será aprovada antes da meia-noite — sussurrou o advogado ao seu lado, sem desviar o olhar do palco. — Se você não assinar a cessão de ativos, a exposição será total. O escândalo vai dissolver o que resta do seu nome até o amanhecer.

Beatriz não respondeu. Seus olhos varreram o salão, buscando uma saída, mas encontrou apenas o vazio. Ela não era mais a jovem que, anos atrás, acreditara que o amor bastava; ela era uma mãe que, na calada da noite, protegia um segredo que faria aquela sala inteira silenciar em choque. Seu filho, Leo, estava em casa, em um berço seguro, longe daquela podridão. Aquele era o único pensamento que a mantinha de pé: proteger o menino da voracidade de um mundo que nunca perdoava falhas.

Ela girou nos calcanhares, pronta para enfrentar a saída pelos fundos, mas uma mão firme e contida fechou-se suavemente ao redor de seu cotovelo. Não precisou olhar para saber quem era. O perfume amadeirado, misturado à arrogância silenciosa que emanava dele, era uma marca registrada que ela havia tentado apagar de sua memória durante o longo inverno de sua partida.

— Você não vai embora agora, Beatriz — a voz de Lucas Montenegro era um sussurro aveludado, carregado de uma autoridade que a fez travar. — A sua ruína é um espetáculo que eles ainda não terminaram de assistir. Se sair agora, confirmará a derrota. Se ficar, comigo, a narrativa muda.

Beatriz virou-se, os olhos faiscando um desafio que ela não sentia no peito. O coração batia em um ritmo caótico, mas ela o manteve sob controle, um hábito de sobrevivência forjado em anos de isolamento.

— O que você quer, Lucas? — ela perguntou, a voz firme, embora a proximidade dele a desestabilizasse. — Você não é um filantropo. O que espera ganhar resgatando uma empresa que todos já deram como morta?

Ele deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal com uma naturalidade calculada. Seus olhos, escuros e intensos, pareciam ler cada camada de sua fachada. Ele não olhava para a multidão; ele olhava para ela como se ela fosse o único objeto de valor naquela sala.

— Eu não quero a empresa, Beatriz. Eu quero uma parceria — ele disse, a voz baixando para um tom que apenas ela podia ouvir, carregado de uma eletricidade perigosa. — O mercado exige estabilidade, e você, no momento, é um risco. Mas um noivado... um noivado entre a herdeira em declínio e o magnata que ninguém ousa desafiar? Isso é um ativo que o mercado não pode ignorar.

Beatriz sentiu o sangue gelar. Era uma armadilha. Um contrato de fachada para limpar sua reputação enquanto ele, provavelmente, exercia um controle que ela não poderia tolerar.

— Você está louco se acha que eu aceitaria vender minha autonomia para salvar um balanço financeiro — ela retrucou, tentando se soltar, mas a mão dele apenas apertou seu braço, mantendo-a ali, exposta sob os olhares curiosos da elite.

Lucas inclinou-se, seus lábios quase roçando o lóbulo de sua orelha. O choque térmico do toque dele foi um lembrete cruel de que, apesar de tudo o que ela construiu em silêncio, a atração entre eles nunca havia morrido; apenas mudara de forma, tornando-se mais perigosa.

— Não é sobre a empresa, Beatriz — ele sussurrou, a voz carregada de uma sombra que a fez estremecer. — O preço da minha ajuda não é financeiro. É algo muito mais pessoal. E, acredite em mim, você não tem outra escolha se quiser que o seu segredo continue enterrado.

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