A Verdade em Papel
O escritório de Ricardo, no quadragésimo andar, era um aquário de vidro cercado pelo caos noturno de São Paulo. Lá fora, a cidade pulsava, mas ali dentro, o ar parecia ter sido drenado de oxigênio. Sobre a mesa de mogno, o carrinho de metal — um brinquedo barato, descascado, um insulto à estética daquela cobertura — repousava como uma granada sem pino.
Ricardo não se sentou. Ele observava o objeto com uma imobilidad
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