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Chapter 5: Duelo de Poder

Beatriz confronta Rafael sobre a fraude financeira que motivou o sequestro de Mariana. Rafael admite que sabia do desaparecimento antes de contratá-la, revelando que a usou como escudo corporativo. A descoberta de um infiltrado na mansão força uma aliança tensa, transformando a dinâmica de poder entre eles de peão e mestre para aliados sob cerco.

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Duelo de Poder

O escritório de Rafael Vasconcelos cheirava a mogno polido e ao ozônio estático de uma tempestade iminente. Beatriz mantinha o tablet firme, a tela iluminando a palidez do seu rosto com os dados da 'Operação Sombra'. Os números não mentiam: o desaparecimento de Mariana não era uma fuga, mas uma manobra contábil desesperada para mascarar o colapso do Grupo Vasconcelos.

— Você não a procurou — a voz de Beatriz cortou o silêncio, afiada como uma lâmina. — Você a usou como lastro enquanto o navio afundava. Mariana não foi sequestrada por um erro de percurso; ela foi o ativo que você sacrificou para manter o conselho diretivo em silêncio.

Rafael, parado diante da vidraça que espelhava a noite paulistana, não se virou. Seus ombros estavam travados sob o terno impecável. Quando ele finalmente se moveu, a frieza habitual em seu rosto parecia ter sido substituída por uma exaustão calculada.

— O mundo corporativo não é feito de santos, Beatriz. É feito de sobreviventes — ele respondeu, caminhando lentamente em sua direção. — Mariana foi um alvo de oportunidade para quem queria destruir meu legado. Eu sabia disso desde o primeiro dia em que vi o seu currículo. Você não foi escolhida por acaso. Você era a única com a dignidade necessária para sustentar a farsa sem desmoronar sob o peso da elite.

Antes que ela pudesse retrucar, um sinal de alerta discreto vibrou no console da mesa. O sistema de segurança da mansão disparara. Fotos granuladas começaram a surgir na tela do computador central: ângulos internos do quarto de hóspedes, capturados por alguém que circulava livremente pela mansão. O sangue de Beatriz gelou. O infiltrado não apenas a vigiava; ele conhecia detalhes de sua intimidade que deveriam ser inacessíveis.

— Estamos sendo monitorados — Beatriz sussurrou, a raiva dando lugar a um alerta visceral.

Rafael não perdeu tempo com indignação. Ele digitou uma sequência rápida, bloqueando os sinais externos, e lançou um olhar para Beatriz que não era de comando, mas de uma aliança forçada pelo perigo. Ele entregou a ela um drive criptografado.

— Se você quer sobreviver até amanhã, precisa desse acesso. É um servidor secundário. Se o conselho descobrir que você tem isso, não serei eu quem vai te proteger.

Beatriz conectou o drive, seus dedos ágeis navegando pela interface. O que ela encontrou ali transformou seu medo em uma raiva fria. Rafael não apenas sabia do sequestro; ele estava sendo chantageado por um rival corporativo antigo, uma dívida de sangue que precedia a chegada de Mariana. Ela o encarou, a luz azulada dos monitores destacando a dureza em seus olhos.

— Você não me trouxe para ser uma substituta — ela disse, a voz baixa e carregada de uma verdade brutal. — Você me trouxe para ser um escudo de carne. Se o conselho perguntar, eu sou a noiva fiel. Se a polícia bater à porta, eu sou a prova de que Mariana simplesmente 'foi embora'.

Rafael parou a poucos centímetros dela, invadindo seu espaço pessoal com uma autoridade que, em qualquer outro momento, a faria recuar. Ele não negou.

— Eu sabia que ela tinha sido levada três dias antes de você entrar naquela sala — ele confessou, a voz um sussurro gélido que reverberou pelas paredes. — O mercado estava pronto para devorar meu império. Eu não precisava de uma mulher que se parecesse com ela, Beatriz. Eu precisava de uma estrategista que pudesse jogar o meu jogo enquanto eu limpava a sujeira deixada pelos meus inimigos. O casamento civil de amanhã não é apenas um contrato; é a nossa única apólice de seguro contra a ruína total.

Beatriz aceitou o peso daquela revelação, sentindo o contrato, antes uma prisão, transformar-se em uma arma. Ela não seria mais o peão. Se ele precisava dela para sobreviver, ele pagaria o preço de sua lealdade.

— Eu serei sua noiva, Rafael — ela disse, a voz firme, quase um desafio. — Mas, a partir de agora, as regras do jogo mudam. Se você quer que eu proteja o seu império, terá que me dar as chaves do reino. E não pense que não percebi o que virá a seguir: amanhã, no leilão, quando os seus rivais tentarem me comprar, eu estarei pronta para decidir se vale a pena mantê-lo no poder ou deixá-lo cair.

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