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Chapter 2: A Máscara de Porcelana

Beatriz enfrenta a pressão do baile de noivado sob o olhar implacável da elite paulistana. Rafael a protege de um jornalista invasivo com uma demonstração de posse pública que reafirma o contrato, mas Beatriz descobre um pingente da noiva original escondido no quarto de Rafael, revelando que a fuga pode ter sido um sequestro ou algo mais sinistro.

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A Máscara de Porcelana

O ateliê nos Jardins não cheirava a flores, mas a uma mistura estéril de seda engomada e medo. Beatriz estava sobre o estrado, imóvel enquanto duas costureiras ajustavam o cetim branco que, há poucas horas, deveria estar vestindo outra pessoa. O vestido era uma peça de engenharia de luxo, projetado para ostentar uma fortuna que ela não possuía e esconder uma mentira que ela mal conseguia sustentar.

— Mais firme na cintura — a voz de Rafael cortou o silêncio, vindo da poltrona de couro onde ele a observava com a precisão de um cirurgião avaliando um corte. — A noiva de um Vasconcelos não pode parecer que está prestes a desmoronar.

Beatriz sentiu o alfinete roçar sua pele, um lembrete físico de que aquela armadura de seda era, na verdade, uma mortalha para sua identidade. Ela encontrou o olhar dele no espelho. Rafael não estava ali por afeto; ele estava ali para garantir que seu investimento não apresentasse falhas estruturais antes do baile de noivado.

— Se a intenção é que eu pareça uma boneca de porcelana, Rafael, talvez devesse ter contratado uma atriz — Beatriz rebateu, mantendo a voz nivelada. — Mas bonecas não têm opiniões, e eu ainda tenho as minhas.

Rafael levantou-se, o movimento fluido e predatório. Ele parou a centímetros, o cheiro de sândalo e poder emanando dele como uma barreira física. — Sua opinião é um luxo que o contrato não cobre, Beatriz. Você é a solução para um problema que ameaça destruir o império. Aja como tal.

Horas depois, o salão de festas na Avenida Paulista parecia uma arena. O ar condicionado gélido não impedia que o suor frio brotasse na nuca de Beatriz. Ela caminhava pelo mármore sentindo o peso das joias emprestadas como algemas. Ao seu lado, Rafael era uma muralha de granito. Ele não a tocava, mas sua aura de controle absoluto mantinha o salão a uma distância respeitável.

— Lembre-se — sussurrou ele, a voz um comando gélido contra o ouvido dela —. Você não é uma convidada. Você é o motivo. Qualquer hesitação custará muito mais do que o seu contrato prevê.

O silêncio foi rompido pelo som de flashes. Um jornalista de celebridades, notório por destruir reputações, rompeu o cerco dos seguranças. — Sr. Vasconcelos! Há rumores de que a noiva original fugiu com dados confidenciais. Como a senhorita aqui presente explica que ninguém a viu em público nos últimos meses?

Beatriz sentiu o sangue fugir do rosto, mas antes que pudesse responder, Rafael interveio. Ele enlaçou sua cintura com uma possessividade calculada, puxando-a contra o seu corpo de forma tão deliberada que a elite ao redor silenciou. Foi um gesto de proteção, mas também uma marcação de território que deixou claro quem detinha o controle.

— Minha noiva não deve explicações a abutres — a voz de Rafael foi um chicote. O jornalista recuou, visivelmente abalado. Rafael virou-se para Beatriz, e por um segundo, o cinismo em seus olhos deu lugar a algo mais afiado, quase um reconhecimento da periculosidade do jogo que ambos estavam travando.

Mais tarde, na sala de segurança, Beatriz assistiu, paralisada, enquanto Rafael descartava um assessor que permitira o vazamento. Ele não gritou; ele simplesmente ordenou que o homem fosse banido de qualquer corporação de São Paulo. Ao ver a frieza de Rafael ao sacrificar um aliado, Beatriz compreendeu: ela não era uma parceira, mas uma ferramenta de luxo.

De volta ao salão, enquanto dançavam, Rafael a conduziu com uma firmeza que beirava o castigo. — Você não está me protegendo, Rafael. Você está me exibindo como uma prova de que a sua noiva fugitiva não importa — ela murmurou.

— O jogo é simples, Beatriz — ele respondeu, o olhar fixo no dela. — Você me dá a fachada, eu garanto que você sobreviva ao escândalo. A questão não é o que é real, mas o que eles acreditam.

Ao final da noite, exausta, Beatriz foi deixada na suíte privativa de Rafael. Ao explorar o quarto em busca de paz, seus dedos roçaram um pequeno objeto escondido sob o forro de uma gaveta: um pingente de prata que ela reconheceu de uma foto da noiva original. Não era um presente; era um pedido de socorro. A percepção atingiu Beatriz com a força de um soco: a antecessora não havia fugido por vontade própria. Ela havia sido silenciada.

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