O Contrato de Sangue e Seda
O ar-condicionado no 32º andar da Faria Lima não apenas resfriava o ambiente; ele parecia sugar o oxigênio, deixando o ar rarefeito e cortante. Beatriz mantinha as mãos sob a mesa de mogno, os dedos cravados na palma da outra mão para impedir que o tremor denunciasse seu pânico. À sua frente, Arthur não a olhava. Ele lia o contrato com a frieza de quem revisa um balanço patrimonial, deslizando o dedo sobre as cláusulas com uma precisão que a fazia sentir-se menos como uma noiva e mais como uma falha de sistema a ser corrigida.
O advogado da família, um homem cujos traços pareciam esculpidos em granito, empurrou a pasta de couro. O som do at
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