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Chapter 8: O Calor do Conflito

Arthur sacrifica uma aquisição milionária para proteger a reputação de Beatriz diante de seu pai, consolidando-a como sócia. A tensão entre eles atinge um novo patamar de intimidade, mas é interrompida por uma prova de que Arthur pode ter orquestrado a farsa desde o início.

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O Calor do Conflito

O ar no salão de baile do Hotel Unique era denso, saturado com o perfume de orquídeas frescas e a eletricidade estática de uma falência iminente. Beatriz sentia o olhar de Arthur sobre ela — uma pressão que não era mais apenas contratual, mas uma âncora em meio à tempestade de murmúrios. Alberto Valente, o patriarca, aproximou-se com passos que ecoavam como uma sentença sobre o mármore polido. Suas feições, esculpidas em granito e desdém, não escondiam o desprezo.

— Você trouxe o caos para esta família, Beatriz — disse o velho, a voz baixa, projetada apenas para eles. — Achar que pode manipular as ações da subsidiária enquanto finge ser a noiva ideal é um erro que lhe custará a proteção que meu filho insiste em desperdiçar.

Beatriz manteve a coluna ereta, sentindo o volume da pasta de auditoria sob a mesa próxima. Ela não era mais a substituta desesperada; era o obstáculo entre o consórcio e o desmantelamento total do legado de sua família. Arthur deu um passo à frente, posicionando-se entre ela e o pai. O movimento foi fluido, predatório. Ele não pediu desculpas. Tirou um documento do bolso interno do paletó — a prova das assinaturas forjadas de Ricardo — e a estendeu para a visão de Beatriz.

— O jogo mudou, pai — Arthur declarou, a voz cortante. — E Beatriz não é mais uma peça, mas a minha aliada estratégica.

Alberto subiu ao estrado de mármore e ajustou o microfone. O feedback agudo silenciou o salão.

— É curioso — a voz de Alberto ecoou, amplificada — ver a senhorita Beatriz ocupando este lugar. Especialmente quando a holding da família dela não passa de uma casca vazia, um cadáver financeiro que ela tenta esconder sob este vestido de noiva.

Um murmúrio de escárnio varreu a sala. Beatriz sentiu o peso de centenas de olhares. Sua dignidade era sua única armadura.

— A falência é uma escolha de gestão, Alberto — ela respondeu, a voz firme. — Diferente da sua, que parece ser uma escolha de caráter.

Alberto riu, um som seco. Ele deu um passo à frente, pronto para desferir o golpe final, revelando os detalhes da ruína da família dela. Foi então que Arthur interveio. Ele caminhou até o centro do salão, ignorando a plateia, e parou diante do pai. Com um gesto calculado, Arthur anunciou a desistência imediata da aquisição da holding rival, o projeto de sua vida, o pilar de sua expansão no consórcio.

— A aquisição não é mais uma prioridade — Arthur anunciou, sua voz dominando o silêncio absoluto. — A integridade da minha noiva, contudo, é inegociável. Qualquer insinuação contra ela será tratada como um ataque direto aos meus ativos pessoais.

O poder dentro da sala deslocou-se. Alberto, pálido, percebeu que havia perdido não apenas o controle sobre o filho, mas a influência sobre os acionistas que agora olhavam para Beatriz com uma nova e cautelosa reverência.

Mais tarde, na suíte privativa, o silêncio era pesado. Arthur observava as luzes de São Paulo, a silhueta rígida.

— Você não precisava ter feito isso — Beatriz disse, a pulsação no pescoço denunciando a adrenalina. — Perder o conselho de acionistas por minha causa...

Arthur girou lentamente. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que Beatriz não conseguia decifrar.

— O conselho é recuperável. A sua dignidade, uma vez destruída, não seria — ele respondeu, aproximando-se. A distância entre eles diminuiu, o ar carregado de uma eletricidade que não era apenas tensão corporativa. — Você é a minha sócia, Beatriz. E sócios não se deixam ser devorados.

Beatriz sentiu o impacto. Era a primeira vez que ele a via além do contrato. Ela estava prestes a responder quando o celular sobre a mesa vibrou. Uma notificação de uma mensagem desconhecida iluminou o visor: o nome do remetente era o da noiva original. A mensagem era curta, direta, e continha um anexo que sugeria que Arthur sabia da armadilha de Ricardo desde o primeiro dia. O peso da proteção dele subitamente pareceu uma coleira, e Beatriz olhou para Arthur, sentindo o abismo entre a compensação emocional e a traição potencial se abrir sob seus pés.

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