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Chapter 7: A Máscara Cai

Helena confronta Arthur sobre a auditoria que liga a fortuna dele à ruína de seu pai. Diante da ameaça de exposição pública, eles decidem transformar o noivado falso em uma aliança real e perigosa, culminando em um beijo público que altera a dinâmica entre eles.

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A Máscara Cai

A notificação no celular de Helena não foi um aviso; foi uma sentença. O portal Fofocas Paulistanas exibia uma foto do baile de gala, com o título em letras garrafais: "O Noivado de Fachada: A farsa de Helena e Arthur prestes a desmoronar?". O sangue dela gelou. Arthur, parado diante da janela de vidro temperado com vista para o mar de luzes da Faria Lima, não se virou, mas a rigidez em seus ombros era um aviso tão claro quanto o texto na tela.

— Estão cavando, Arthur — Helena disparou, a voz cortante enquanto se levantava. A cadeira raspou contra o piso de mármore como uma lâmina. — Se descobrirem que o contrato de união é apenas tinta no papel, sua holding cai antes do pregão abrir amanhã.

Ele finalmente se virou. O rosto era uma máscara de frieza calculada, mas seus olhos, escuros e profundos, revelavam a exaustão de quem jogava xadrez contra o destino.

— Eu cuido da imprensa, Helena. Foque no seu papel — ele respondeu, a voz desprovida da habitual polidez.

— Não é só pela empresa, é? — ela deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal que ele sempre mantinha como fronteira. — O chantagista não quer apenas dinheiro. Ele conhece segredos de ambos. Nós dois estamos na mira, e eu não vou ser o bode expiatório da sua ruína.

Arthur travou. A mandíbula trincou, um espasmo que traiu a muralha de indiferença. Ele recuou, mas a faísca em seu olhar denunciava que a fachada de controle estava ruindo. O ar no escritório parecia rarefeito, carregado pelo zumbido dos celulares que não paravam de vibrar. O silêncio que se seguiu não era de luxo, mas de câmara de tortura.

De volta à cobertura, a tensão atingiu o ápice. Helena manteve o tablet sobre a mesa de mogno, a tela exibindo a auditoria que ela mesma copiara. Cada linha de código financeiro era um prego no caixão da reputação de Arthur.

— Você lucrou com a ruína do meu pai — ela afirmou, a voz firme, embora o estalo no peito fosse de náusea. — O chantagista tem essas mesmas provas, não tem? E ele não está usando isso apenas para te extorquir. Ele está usando o nome do meu pai para te destruir.

Arthur suspirou, um som curto e áspero. Ele se aproximou, não com a agressividade de um inimigo, mas com a vulnerabilidade de um homem acuado.

— Ele não quer apenas dinheiro, Helena. Ele quer o legado. Se ele vazar a auditoria original, o que você tem aí se tornará a prova que nos destruirá a ambos. Seu pai não foi um mártir; ele estava lá quando as contas foram manipuladas. Ele assinou a própria ruína. Eu apenas sobrevivi ao que ele começou.

Helena sentiu o chão oscilar, mas a dignidade foi sua única armadura.

— Então, o que você sugere? Que eu queime as provas enquanto você me usa como fachada? Eu não sou mais a mulher que você comprou no tribunal, Arthur. Se o seu passado vai me arrastar, eu vou ditar as regras do jogo. Vamos dobrar a aposta. Se eles querem um casal inabalável, é isso que eles terão. Vamos atrair esse chantagista para fora das sombras.

Arthur a encarou, o respeito relutante brilhando em seu olhar.

— Você sabe que isso significa que não haverá mais volta? O contrato deixa de ser papel e passa a ser sangue.

— Eu já perdi tudo, Arthur. O que é mais um risco?

Ao saírem do edifício, a calçada era uma armadilha de flashes. Os fotógrafos, abutres da elite paulistana, cercavam a saída. Arthur não hesitou. Ele fechou a distância, envolvendo-a pela cintura com uma firmeza possessiva. O perfume amadeirado dele, misturado ao cheiro frio da cidade, invadiu os sentidos de Helena. Quando ele inclinou o rosto, não houve hesitação, apenas a necessidade brutal de silenciar o mundo.

O beijo foi um choque térmico. Inicialmente, era apenas atuação, uma performance para as lentes, mas a pressão dos lábios dele carregava uma urgência que não pertencia ao contrato. Helena sentiu o corpo de Arthur tencionar contra o seu. Quando ele finalmente se afastou, a respiração de ambos estava descompassada. O olhar de Arthur, visivelmente abalado pela própria reação, varreu o rosto dela. A mentira, naquele instante, havia morrido. O que restava era um perigo muito mais real e, para Helena, a certeza de que a proteção de Arthur agora exigiria um custo que ela ainda não estava pronta para pagar.

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