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Chapter 4: A Primeira Prova de Fogo

Helena e Arthur enfrentam a elite paulistana em um evento de gala. Arthur humilha Ricardo financeiramente, consolidando seu poder, mas a proximidade na dança revela uma tensão física inegável. O capítulo termina com Arthur recebendo uma ameaça anônima que conecta o passado de Helena ao presente.

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A Primeira Prova de Fogo

A cobertura de Arthur Viana não era um lar; era um observatório de precisão cirúrgica. O silêncio do desjejum era cortado apenas pelo tilintar da porcelana, um som que, para Helena, soava como o tique-taque de um cronômetro. Faltavam quarenta e oito horas para o bloqueio de seus ativos se tornar definitivo. A tensão entre eles não era apenas contratual — era uma corda esticada até o ponto de ruptura.

Arthur observava Helena enquanto ela testava o peso do colar de diamantes que ele pousara sobre a mesa. A joia, uma relíquia da família Viana, brilhava com uma frieza absoluta.

— É pesado — Helena comentou, a voz firme, embora sentisse o sangue pulsar nas têmporas. — O contrato não exigia que você me adornasse para o evento desta noite, Arthur.

Ele contornou a mesa com a elegância de um predador, parando atrás dela. Suas mãos desceram pelos ombros de Helena, o toque firme, possessivo. O reflexo no espelho mostrava a disparidade: ela, a mulher cujo nome fora arrastado pela lama após o divórcio; ele, o homem que mantinha as rédeas daquela mesma lama.

— Não é um adorno, Helena — ele sussurrou, a voz roçando o lóbulo de sua orelha. — É uma garantia. O fecho esconde um rastreador de alta frequência e um microfone direcional. Se alguém tentar se aproximar com mais do que palavras, eu saberei exatamente onde você está e o que foi dito.

Helena sentiu um calafrio, mas não recuou. Ela tinha uma dignidade a manter e um pai a inocentar. Se ele queria um escudo, ela seria um escudo afiado.

Horas depois, o salão do Hotel Fasano pulsava em tons de âmbar. Helena estava ao lado de Arthur, cujos dedos na base de sua coluna funcionavam como uma âncora de controle. Ricardo surgiu entre os convidados, o sorriso forçado e os olhos carregados de um ressentimento mal dissimulado. Ele parou a poucos metros, ignorando a etiqueta.

— Helena. Que surpresa vê-la aqui, especialmente após o incidente com as contas da fundação — Ricardo começou, o tom subindo o suficiente para atrair olhares.

Arthur não permitiu que a resposta de Helena viesse. Ele deu um passo à frente, bloqueando a visão de Ricardo com uma naturalidade que era, em si, um ato de violência psicológica.

— Ricardo — Arthur disse, a voz suave, quase cordial. — Vejo que ainda não aprendeu que a insolvência é um mau hábito. O relatório que enviei ao seu banco esta manhã... suponho que ainda não tenha tido tempo de digerir os números?

A cor drenou do rosto de Ricardo. O medo nos olhos dele era palpável, uma vitória silenciosa que Arthur saboreou sem precisar levantar a voz. Ricardo recuou, balbuciando uma desculpa inaudível, derrotado pela simples menção de sua ruína financeira.

— Você o destruiu — Helena murmurou, enquanto a orquestra iniciava uma valsa clássica.

— Eu apenas expus o que ele tentou esconder — Arthur rebateu, puxando-a para a pista de dança.

A proximidade forçada transformou a atuação em algo visceral. Eles se moviam sob o olhar da elite paulistana, mas, para Helena, o salão desapareceu. O cheiro de cedro e o frio cortante de Arthur eram as únicas constantes.

— O público está ocupado demais tentando descobrir quanto você pagou pelo silêncio dele — ela retrucou, o sorriso mantido por puro treino, enquanto seus olhos rastreavam o rosto dele. — Ou talvez eles estejam tentando adivinhar por que o nome do meu pai ainda aparece nas suas pastas privadas.

Arthur girou-a com uma precisão cirúrgica, forçando-a a colidir contra seu peito. O impacto foi seco. O controle de Arthur vacilou por um milissegundo. Ele a puxou para mais perto, a mão apertando a cintura dela com uma urgência que não estava no contrato.

— Seu pai é um segredo que você ainda não tem permissão para ler, Helena — ele sussurrou, a voz rouca contra sua pele. — Mas você está tremendo.

Helena parou o movimento, o choque percorrendo seu corpo ao perceber que o tremor não era apenas dela. As mãos de Arthur, geralmente inabaláveis, também vibravam com uma tensão elétrica. Eles se encararam no centro do salão, a fachada de noivado falso começando a rachar sob o peso de uma atração real e perigosa.

No momento em que a música cessou, um garçom se aproximou, entregando um envelope selado a Arthur. Ele o abriu com uma mão enquanto a outra ainda mantinha Helena presa a si. Ao ler o conteúdo, a expressão de Arthur endureceu. Ele não disse nada, mas o olhar que lançou para a entrada do salão sugeriu que, lá fora, o passado de Helena acabara de encontrar o endereço da cobertura.

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