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Chapter 10: O Preço da Verdade

Kaelen confronta Elara e descobre que seu papel como 'chave' para destruir a Academia foi planejado desde o início. Com o Mapa da Colheita fundido ao seu mech e sua vitalidade sendo drenada, ele entra no teste de elite, onde a instabilidade de sua arma ameaça destruir tudo antes do planejado.

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O Preço da Verdade

O Hangar 4 ainda cheirava a ozônio e isolante derretido. Kaelen observava as carcaças fumegantes dos mechs de Valerius, sentindo o pulso vibrar em seu antebraço. Não era apenas o nervosismo; o Mapa da Colheita, agora fundido ao núcleo do seu Centurião-4, agia como um parasita. Cada dado processado sobre a corrupção da Academia drenava um pouco mais de sua vitalidade.

— Você não foi um erro de seleção, Kaelen — a voz de Mestra Elara cortou o silêncio, fria e precisa. Ela caminhava entre os destroços, seus passos ecoando como um relógio de contagem regressiva. — Você foi o investimento de longo prazo. Aqueles 8.700 créditos de dívida? Não são uma falha financeira. São a âncora que garante que, quando o sistema colapsar, você caia junto com ele.

Kaelen sentiu uma tontura súbita. Um lapso de memória — o custo da técnica proibida — apagou os últimos minutos de sua consciência, deixando apenas o peso da dívida como uma aura física em seus ombros. Ele apertou os punhos, sentindo o calor do núcleo instável em seu peito.

— Você me criou para ser a chave — Kaelen respondeu, a voz rouca. — Sabia que eu encontraria o Mapa. Sabia que eu o fundiria ao meu Centurião. Você não quer me salvar da expulsão, Elara. Você quer que eu detone o motor da Academia por dentro.

Elara parou, um sorriso desprovido de calor curvando seus lábios. — O sistema se alimenta dos fracos para sustentar os fortes. Você, com sua dívida impagável e sua teimosia, é o único capaz de infiltrar a falha lógica no coração da rede. A revolução tem um custo, Kaelen. E você já o pagou.

Horas depois, na oficina, o ar tinha gosto de sangue seco. O núcleo do Centurião-4 pulsava com uma luz violeta doentia. Kaelen limpou o suor frio da testa, observando o cronômetro: menos de nove horas para o teste de elite. A dívida de 8.700 créditos parecia um peso gravitacional puxando-o para o abismo da reciclagem industrial.

— Estabilize — murmurou ele, injetando um fluxo de energia no núcleo. A máquina respondeu com um zumbido de alta frequência. Então, o som começou. Não era mecânico. Era uma voz — uma modulação de frequências que imitava o tom de um cadete há muito reciclado, sussurrando códigos de acesso aos subníveis. O sistema estava drenando sua consciência para processar a própria libertação.

Na Arena de Provas, a multidão vibrava, mas Kaelen sentia apenas o peso metálico do seu núcleo. Ele avançou sobre a areia sob o olhar gélido de Elara. O teste de elite não era apenas uma prova de força; era um palco de descarte.

— Mostre-me se o seu atraso é um defeito ou um desperdício, Kaelen — a voz de Elara ecoou pelo estádio.

Kaelen não respondeu. Seus dedos formaram o selo de ativação enquanto ele injetava o código do Mapa da Colheita na rede de proteção da arena. O sistema chiou. O pulso de energia em seu núcleo tornou-se um caos frenético. Ele sentiu sua própria essência ser drenada, convertida em combustível bruto. Se ele não descarregasse agora, a sobrecarga o mataria. Mas, enquanto as runas de contenção começavam a falhar em um tom carmesim, Kaelen percebeu, tarde demais, que o gatilho da revolução estava instabilizando, ameaçando explodir antes mesmo de tocar o núcleo da Academia.

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