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Chapter 1: O Salão da Humilhação

Beatriz enfrenta a humilhação pública no baile de gala, onde seu ex-marido tenta expulsá-la. Rafael, rival corporativo de Ricardo, intervém e propõe um noivado de fachada, forçando Beatriz a escolher entre a ruína social ou uma aliança perigosa.

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O Salão da Humilhação

O cristal dos lustres do Hotel Fasano vibrava com o zumbido das conversas, uma sinfonia de julgamentos disfarçados de cordialidade. Beatriz ajustou o decote do vestido azul-noite, sentindo o tecido caro pesar como uma armadura que ela não tinha mais autoridade para usar. Cada passo pelo salão era um exercício de equilíbrio sobre vidro moído. Ela não era mais a esposa do CEO; era a ex-esposa que, segundo o colunismo social da manhã, não tinha para onde ir.

— Você tem coragem, Beatriz. Ou falta de noção — a voz de Ricardo, seu ex-marido, cortou o ar com a precisão de um bisturi.

Ele estava parado perto da mesa de buffet, o braço em volta da cintura de uma modelo que não tinha nem vinte e cinco anos. A nova namorada exibia um sorriso que era puro troféu. Beatriz parou, mantendo a coluna ereta, o rosto uma máscara de indiferença que custara meses de terapia e noites de insônia para construir.

— O evento é público, Ricardo. E, até onde sei, o convite que recebi não foi revogado — respondeu ela, a voz firme, embora seu estômago desse um solavanco perigoso.

Ricardo riu, um som seco que atraiu olhares de curiosidade ao redor. Ele se aproximou, invadindo o espaço pessoal de Beatriz com uma intimidade que agora parecia uma agressão.

— O convite era para a Sra. Bittencourt. Você é apenas a Beatriz. A organização já foi avisada de que o seu acesso foi um erro de logística. Se você não sair agora, a segurança terá o prazer de escoltá-la para fora — ele sussurrou, os olhos brilhando com uma crueldade que ela só conhecera após o divórcio.

Beatriz sentiu o sangue fugir do rosto. O segurança do evento, um homem de ombros largos, já se aproximava, a expressão desprovida de qualquer vestígio de empatia. Ele sabia quem ela era. Todos sabiam. O divórcio tinha sido o entretenimento da elite paulistana nas últimas semanas, e Ricardo estava ativamente tentando destruir seus últimos ativos, empurrando-a para o ostracismo total. Ela ia responder, ia exigir uma explicação, quando uma sombra se projetou sobre eles.

O cheiro de sândalo e a presença magnética de Rafael fizeram o ar ao redor mudar de temperatura. Ele não olhou para o segurança; ele olhou para Ricardo, com um cinismo que, por um instante, pareceu um escudo. Rafael, o magnata que detinha o poder corporativo que Ricardo tanto cobiçava, posicionou-se exatamente entre Beatriz e o segurança.

— Ela está comigo — disse Rafael, a voz baixa, o tom desprovido de qualquer hesitação. Ele não pediu permissão; ele simplesmente estendeu o braço, oferecendo a ela um suporte que tinha o peso de uma aliança de guerra.

O segurança recuou, confuso, enquanto Ricardo endurecia a mandíbula, o sorriso de troféu desaparecendo de seu rosto. Rafael ignorou o ex-marido completamente, voltando sua atenção para Beatriz. Seus olhos escuros mapeavam o rosto dela, não com desejo, mas com uma análise fria e calculada.

— Você tem duas opções, Beatriz — a voz de Rafael era um sussurro audível apenas para ela, carregado de uma eletricidade que não tinha nada de romântica e tudo de perigosa. — Pode sair por aquela porta e deixar que o seu ex-marido termine de triturar o que resta da sua reputação, ou pode me dar a mão agora e deixar que eu cuide do resto.

Beatriz olhou para ele, buscando qualquer traço de empatia, mas encontrou apenas a determinação de um homem que via o mundo como um tabuleiro de xadrez. Ela sabia o que Rafael queria: uma fachada, um peão para desestabilizar Ricardo e garantir o controle de um setor que estava em disputa. Mas a alternativa era a ruína financeira total antes do amanhecer.

Ela olhou para Ricardo, que ainda observava a cena, incapaz de intervir contra Rafael sem perder o capital político que ainda possuía. Beatriz percebeu que, embora fosse uma peça em um jogo de poder, esta era sua única chance de sobrevivência. Ela estendeu a mão, sentindo a pele de Rafael tocar a sua — um contato seco, firme, uma promessa de proteção que custaria muito mais do que dinheiro.

— Case-se comigo, Beatriz — Rafael disse, sua voz ecoando com uma autoridade que fez o salão silenciar. — Vamos destruir o império dele juntos.

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