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Chapter 1: Dívida de Sangue e o Piso da Arena

Kaelen sobrevive à auditoria de ranking usando um núcleo proibido fornecido por Mestre Vane, convertendo sua dívida de sangue em energia cinética. A vitória, contudo, dispara uma auditoria de integridade que ameaça sua expulsão definitiva no próximo ciclo, forçando-o a um novo patamar de risco.

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Dívida de Sangue e o Piso da Arena

O display holográfico acima da Arena de Prova pulsava em um vermelho agressivo, a cor da falência técnica. Saldo de Éter: 0.04 unidades. Status: Em Risco de Liquidação de Ativos. Kaelen sentiu o frio do metal do cockpit do 'Sentinela' penetrar em suas luvas. O mech, um modelo de treinamento sucateado, vibrava com um ruído metálico que denunciava o desgaste de seus atuadores.

Nas arquibancadas, o silêncio era uma arma. A elite da Academia observava, e no centro da plataforma de comando, Valéria sustentava um sorriso que não chegava aos olhos, mas que desmantelava qualquer dignidade que Kaelen ainda tentasse manter.

— Cadetes, observem — a voz de Valéria ecoou pelo sistema de som, nítida e cruel. — Kaelen ainda acredita que pode subir a escada com peças de ferro-velho. Ele não entende que a dívida de sangue de sua família não é apenas uma nota promissória; é um dreno. Cada gota de éter que ele tenta acumular é sugada pelo contrato antes mesmo de tocar o núcleo do mech.

Kaelen sentiu uma fisgada na base da nuca. A dor não era física; era a assinatura do contrato de servidão da Seita Oculta. A cada segundo, o sistema de auditoria descontava sua vitalidade para pagar os juros da dívida ancestral. Ele precisava de um milagre mecânico para sobreviver ao corte de hoje.

Ele escapou para os porões, onde o cheiro de ferrugem era mais denso que o ar filtrado das arenas. Mestre Vane estava lá, observando uma bancada coberta por destroços de gerações descartadas.

— Você fede a desespero, garoto — Vane não se virou, mas sua mão calejada tateou um núcleo de conversão proibido, uma peça que brilhava com uma luz neon fria e instável.

— A auditoria reseta meu acesso aos implantes amanhã cedo — Kaelen disse, jogando seus últimos créditos sobre a bancada. — Preciso converter meu débito em carga cinética. O sistema está drenando minha reserva antes mesmo de eu começar.

— Isso não é uma bateria, Kaelen. É um parasita — Vane empurrou o núcleo, que parecia devorar a própria sombra ao redor. — Ele vai consumir sua integridade física para compensar a falta de combustível. Se você não terminar a prova no tempo limite, o núcleo não vai apenas falhar; ele vai colapsar sobre você.

Kaelen integrou o núcleo ao Sentinela. O mech ganhou vida com um zumbido gutural, uma vibração que ressoou em seus próprios ossos.

De volta à arena, o ar tinha o gosto metálico de ozônio. O contador de dívida brilhava em um vermelho agressivo: 4.200 créditos. Valéria observava do camarote, seus braços cruzados revelando o desdém de quem nunca conheceu o peso de um saldo negativo.

— Cadete 774, inicie a manobra — a voz do auditor ecoou, fria.

Kaelen injetou o fluxo de éter no núcleo. A dor foi imediata, como se agulhas de gelo costurassem seus nervos aos circuitos do mech. O dreno de sua dívida, em vez de enfraquecê-lo, foi convertido pelo artefato em um pulso bruto e instável. O Sentinela disparou para frente com uma velocidade que fez o metal da arena gemer. Ele completou o circuito em tempo recorde, a manobra final danificando permanentemente o braço do mech, mas garantindo sua posição.

A vitória, porém, foi curta. O sistema de auditoria parou de emitir o alerta de liquidação, mas logo emitiu um novo aviso, mais grave: Anomalia detectada. Auditoria de integridade de sistema agendada para o ciclo de amanhã. Risco de banimento permanente.

Valéria desceu até a borda da arena, seus olhos fixos no núcleo que ainda pulsava na mão de Kaelen.

— Você sobreviveu hoje, Kaelen. Mas o que você usou para subir custa mais do que você pode pagar. Amanhã, a prova não será contra o cronômetro, mas contra a sua própria existência. Se não vencer, o sistema não vai apenas levar seus créditos; vai levar o que resta de você.

O artefato proibido em sua mão latejou, exigindo mais vitalidade para a próxima rodada, enquanto a contagem regressiva para a expulsão definitiva já começava a girar no céu da Academia.

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