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Chapter 2: A Armadilha dos Holofotes

Após a humilhação pública no baile, Ricardo isola Helena em sua cobertura, usando a proteção como pretexto para controle. Helena tenta recuperar documentos comprometedores sobre Lucas, apenas para descobrir que Ricardo já os moveu, sinalizando que ele está um passo à frente no jogo de poder.

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A Armadilha dos Holofotes

O brilho do projetor ainda queimava as retinas de Helena, uma luz branca e impiedosa que expunha fotos de uma vida que ela enterrara sob camadas de silêncio e burocracia. No centro do salão de gala, o zumbido das conversas cessou, substituído pelo estalo frenético das câmeras. O luxo do hotel, antes um cenário de ascensão, transformara-se em uma arena de descarte. Helena sentiu o ar rarefeito. Seus dedos, escondidos sob as dobras do vestido de seda, apertaram-se até os nós dos dedos ficarem brancos. Ela não podia fugir; a dívida que a mantinha presa àquele contrato era a única barreira entre Lucas e a expulsão da escola, entre a segurança e o abismo.

— Mantenha o queixo erguido — a voz de Ricardo foi um comando seco, baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse. Ele não a olhou; seus olhos, frios como granito, monitoravam a multidão, calculando o dano à reputação de sua empresa.

— Eles sabem — sussurrou Helena, a voz falhando por um milésimo de segundo antes de ela recuperar a fachada. — Ricardo, a foto do hospital... o prontuário. Isso não deveria estar aqui.

— O que deveria ou não estar aqui é irrelevante agora — retrucou ele, a mandíbula tensa. — O que importa é que, aos olhos da imprensa, você é minha noiva. E eu não permito que nada sob meu nome seja alvo de escárnio público.

Um jornalista, atraído pelo cheiro de sangue, avançou com o microfone em punho, ignorando a barreira de segurança. Ricardo não hesitou. Com um movimento fluido e autoritário, ele se colocou entre Helena e o repórter, sua mão fechando-se com força inegociável sobre o ombro do homem, empurrando-o para trás com uma demonstração de força que silenciou o grupo ao redor. A proteção não era um gesto de carinho, mas de posse.

Dentro do carro blindado, o silêncio era um vácuo. Helena mantinha os ombros rígidos, as mãos cravadas no tecido caro do vestido, enquanto a cidade de São Paulo passava como um borrão de luzes indiferentes. Ricardo, finalmente sentado ao seu lado, não a olhava, mas sua presença ocupava todo o espaço, um predador que acabara de ter seu território invadido por uma falha de segurança que ele não tolerava.

— Quem sabia? — a voz de Ricardo cortou o ar, desprovida da polidez que ele exibira diante dos fotógrafos.

— Ninguém. Era para ser um passado enterrado — Helena respondeu, a voz mantendo uma estabilidade que custava cada fibra de sua vontade.

— Enterrado? — Ele soltou uma risada seca, voltando-se finalmente para ela. O olhar de Ricardo não buscava conforto; ele buscava vulnerabilidades. — Sua vida inteira foi projetada para ser um segredo, mas documentos não desaparecem apenas porque você ignora a existência deles. Eu sei que há uma criança, Helena. Não sei a extensão da sua conexão, mas sei que você não está apenas protegendo uma carreira. O que mais você escondeu no contrato?

Helena sentiu o peso da dívida de Lucas como uma âncora em seu estômago. Se ela revelasse a verdade, Ricardo a usaria como alavanca.

— Minhas finanças são privadas, Ricardo. O contrato previa minha consultoria e minha discrição, não uma devassa na minha vida pessoal — ela retrucou, mas o tremor em suas mãos a traiu.

Ao chegarem à cobertura no Morumbi, a sensação de ser uma prisioneira em uma gaiola de vidro tornou-se insuportável. Ricardo descartou o paletó e a observou com uma intensidade que a fez recuar.

— O escândalo vai esfriar, desde que você não saia daqui — disse ele, a voz desprovida de calor. — A segurança foi reforçada. Você está segura, Helena. Ou, pelo menos, tão segura quanto alguém com o seu histórico pode estar.

— Segurança não é o mesmo que prisão. Tenho uma vida, tenho um filho que depende da minha presença — ela retrucou, a náusea subindo por sua garganta.

Ricardo deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal. Ele não tocou nela, mas a proximidade era uma ameaça física. Na calada da noite, Helena moveu-se com a precisão de um fantasma até o escritório de Ricardo. Ela precisava recuperar o arquivo que a ligava a Lucas antes que ele o usasse. A gaveta lateral estava destrancada, mas, ao abri-la, encontrou apenas uma pasta com uma folha em branco. O vazio era mais aterrorizante do que o documento em si.

— Procurando por algo que eu guardei ou por algo que eu ainda não encontrei? — A voz de Ricardo veio das sombras.

Ele emergiu, os olhos escuros fixos nela. Helena tentou se afastar, mas Ricardo avançou, prendendo-a contra a mesa de carvalho. Ele segurou o braço de Helena com uma firmeza que não era apenas para as câmeras, uma pressão que misturava ameaça e um desejo perigoso, deixando claro que o jogo de poder apenas começara.

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