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Chapter 1: O Contrato de Vidro

Helena enfrenta a pressão de um noivado por contrato com Ricardo em um evento de gala, apenas para ter seu segredo sobre o passado exposto em um telão, forçando uma reação imediata de Ricardo.

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O Contrato de Vidro

O ar-condicionado do Hotel Unique, em São Paulo, era incapaz de resfriar a tensão que emanava do salão de baile. Helena ajustou a alça do vestido de seda, sentindo o peso da joia falsa que usava para disfarçar a fragilidade de sua conta bancária. Ela não estava ali por luxo; estava ali porque, sem o aporte financeiro que Ricardo oferecia, a mensalidade da escola de Lucas seria o primeiro de muitos cortes. A dignidade era sua única armadura, e ela a mantinha com a ferocidade de quem não tem mais nada a perder.

— Você está atrasada, Helena. E sua mão está tremendo.

A voz de Ricardo surgiu das sombras de uma coluna de mármore. Ele não a tocou, mas sua presença invadiu o espaço pessoal dela com uma autoridade que a forçou a recuar um milímetro. Ele era o epítome do poder corporativo paulistano: frio, impecável e perigoso.

— O contrato exige perfeição. Se não consegue manter a postura, a compensação que prometi torna-se irrelevante.

Helena endireitou a coluna, forçando um sorriso que não alcançava seus olhos.

— Meu atraso foi um cálculo, Ricardo. Assim como sua necessidade de uma noiva impecável antes da abertura do mercado amanhã. Você não me contratou por perfeição, mas por conveniência. Não tente cobrar o que não está no acordo.

Ricardo deu um passo à frente, estreitando os olhos. Ele viu a marca de cansaço sob a maquiagem dela, o detalhe que ele usaria para dobrar sua resistência.

— Eu sei sobre a escola de Lucas, Helena. Sei que o pagamento está atrasado há dois meses. Não teste minha paciência. Você quer o dinheiro? Então, para o resto do mundo, você é a mulher que me salvou da ruína. Sorria. A imprensa não aceita noivas tristes.

O salão era um mar de rostos da elite, observando cada movimento como se ela fosse uma peça de caça encurralada. Ao seu lado, Ricardo mantinha uma postura de predador relaxado, a mão pousada em sua cintura com uma firmeza que ultrapassava o protocolo. Para o público, era um gesto de posse romântica; para Helena, era uma âncora que a impedia de fugir.

— Se você tremer agora, os acionistas vão sentir o cheiro do medo — murmurou ele, a voz baixa, quase roçando seu ouvido. — É um péssimo sinal para o nosso contrato.

Helena lançou-lhe um olhar cortante. O cinismo dele era a sua armadura, mas ela percebia a tensão nos músculos do braço dele. Ricardo não estava apenas atuando; ele estava em alerta, como se esperasse que o chão cedesse sob seus pés.

De repente, a música ambiente falhou. O som foi substituído por um chiado estático, seco e metálico, que silenciou as conversas em um segundo. O telão principal, que exibia fotos posadas de Ricardo em eventos de caridade, piscou violentamente. A imagem de um gráfico financeiro surgiu por um milésimo de segundo antes de ser substituída por algo que fez o coração de Helena parar.

Eram fotos de um arquivo antigo. Documentos de uma clínica, registros de admissão e uma imagem granulada de Helena, anos mais jovem, saindo de um hospital com um fardo pequeno envolto em mantas.

A tela do salão piscou, revelando uma imagem que Helena jurou ter destruído. O silêncio no salão tornou-se ensurdecedor, e Ricardo, ao ver a imagem, virou-se para ela. Seus dedos apertaram o braço de Helena com uma firmeza que não era apenas para as câmeras, mas uma contenção bruta que a impedia de colapsar diante de todos.

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