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Chapter 4: O Jantar dos Lobos

Helena enfrenta o escrutínio de Beatriz Viana durante um jantar tenso, onde Marcelo tenta sabotar o noivado. Helena neutraliza o ex-marido, ganhando o respeito tático de Rafael, mas descobre que seu contrato de noivado está intrinsecamente ligado a um arquivo incriminador que coloca ambos em risco perante o conselho corporativo.

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O Jantar dos Lobos

O tilintar dos talheres de prata contra a porcelana chinesa na mansão dos Viana não era apenas um som; era a cadência de uma execução. Helena manteve a coluna ereta, a seda do vestido servindo como uma armadura fina demais para o frio que emanava da cabeceira da mesa. Beatriz Viana, com seus diamantes que pareciam capturar toda a luz do ambiente, observava-a como se Helena fosse um espécime sob o microscópio.

— Rafael sempre foi um homem de escolhas pragmáticas — Beatriz começou, a voz destilando uma polidez que não escondia o veneno. — Este noivado repentino, logo após um escândalo tão ruidoso, levanta questões sobre a viabilidade da união. O que, exatamente, você traz para a mesa que justifique o risco à reputação da nossa família, Helena?

Helena sentiu o peso da dívida de seu pai — agora nas mãos de Rafael — como um nó em sua garganta. Ela não era mais a herdeira protegida; era uma peça de xadrez sendo movida por um mestre que ela mal compreendia.

— A reputação é uma moeda volátil, Beatriz — Helena respondeu, a voz firme, sem permitir que o tremor interno chegasse aos lábios. — Rafael entende que a estabilidade de uma parceira, mesmo com cicatrizes, é um ativo mais seguro do que a incerteza de um solteiro cobiçado. Ele não busca uma esposa troféu, mas uma aliada com quem possa consolidar seu império.

Antes que a matriarca pudesse contra-atacar, o som das portas duplas sendo abertas forçou o silêncio. Marcelo entrou sem ser anunciado, o terno impecável contrastando com a desordem selvagem em seus olhos. Ele não olhou para Rafael; seu foco era o alvo.

— Uma festa de noivado antecipada? — a voz de Marcelo ecoou, carregada de escárnio. — Ou apenas a assinatura de um contrato de aluguel? Esqueceu de mencionar aos seus novos donos que você já foi minha, ou Rafael gosta de bens usados?

O ambiente tornou-se um vácuo. Helena sentiu o olhar de Rafael ao seu lado, uma presença magnética e perigosamente imóvel. Ele não interveio, testando sua resiliência. Helena endireitou a coluna, a frieza que aprendera com o próprio Rafael tornando-se sua arma.

— Marcelo, sua presença aqui não é apenas uma invasão de propriedade, é um atestado de desespero — Helena disse, dando um passo em direção ao ex-marido. — Você tenta sabotar o que não pode mais controlar, mas esquece que, para Rafael, você não passa de uma nota de rodapé em um contrato de fusão. Sua insignificância é o que me protege agora.

A resposta, afiada e desprovida de emoção, fez Marcelo recuar um passo, o choque substituindo o escárnio. Ele lançou um olhar carregado de veneno para ambos antes de ser escoltado para fora pela segurança. O silêncio que retornou à sala era mais pesado que antes.

Após a saída de Marcelo, Rafael a conduziu até seu escritório privado. A porta fechou-se com um estalo seco. Ele caminhou até a mesa de mogno, servindo-se de uísque. A tensão entre eles era um campo minado de segredos e dívidas.

— Você comprou a dívida do meu pai, Rafael. Você não é um protetor, é o novo carcereiro — Helena confrontou, a voz trêmula de indignação contida. — E agora, sua mãe pergunta sobre o nosso passado como se soubesse que nós nunca tivemos um. Por que continuar com essa farsa se ela já desconfia?

Rafael girou o copo, o gelo tilintando contra o cristal. Seus olhos, escuros e impenetráveis, finalmente encontraram os dela.

— Minha mãe não precisa de provas, ela precisa de uma narrativa. E você é a única que consegue sustentar a minha. O arquivo que tiramos de Marcelo não incrimina apenas ele; ele é a nossa única alavanca contra o conselho. Se você cair, eu caio junto. E eu não pretendo cair.

Helena sentiu o peso da revelação. O arquivo não era apenas um escudo; era uma bomba-relógio que ligava seus destinos de forma irreversível. Beatriz retornou ao escritório, parando na porta, os olhos fixos na proximidade física entre eles.

— Rafael — Beatriz chamou, a voz cortante. — Vocês dois parecem ter muito a esconder. Digam-me, o que exatamente aconteceu na noite em que vocês se conheceram? O que ele prometeu a você para que aceitasse esse contrato?

Rafael não respondeu. Ele permaneceu imóvel, o olhar fixo em Helena. O silêncio que se seguiu foi mais perigoso que qualquer confissão, carregado de uma tensão que ameaçava explodir a fachada que ambos tentavam manter.

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