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Chapter 1: Sucata de Luxo e o Relógio da Expulsão

Kaelen, um piloto de baixo ranking, falha em um teste de qualificação crítico, arriscando o confisco de seu mecha. Em um ato de desespero no Setor de Salvamento, ele recupera um Módulo X proibido. Ao tentar integrá-lo ao seu chassi, ele desencadeia uma reação perigosa que coloca sua vida e o futuro de sua carreira em jogo imediato.

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Sucata de Luxo e o Relógio da Expulsão

O alerta vermelho no cockpit do 'Sucata' não era um aviso; era um veredito. O calor do motor superaquecido irradiava pelo assento, um lembrete de que seu chassi era uma colcha de retalhos de componentes descartados. À frente, o holograma da arena tremeluzia, projetando os alvos móveis que ele precisava abater para manter sua nota de qualificação acima da linha de corte.

— Vamos, sua carcaça maldita — sibilou Kaelen, forçando a alavanca de manobra. O atuador do ombro direito travou com um rangido metálico agonizante. O mecha estremeceu, perdendo a estabilidade. No placar da arena, sua pontuação estagnou. Abaixo, nas arquibancadas, o silêncio era mais pesado que qualquer insulto. Ele sentia o olhar de Sora, cujos modelos de elite brilhavam como joias sob o neon da Cúpula. Para ela, Kaelen era apenas um erro estatístico a ser deletado.

— Cadete Kaelen — a voz do Instrutor Vane ecoou, fria e desprovida de empatia. — Seu tempo de estabilização expirou. Se o alvo não for neutralizado em trinta segundos, o chassi será selado para confisco.

Kaelen sobrecarregou o núcleo. O painel explodiu em faíscas, um movimento desesperado que garantiu o disparo. O projétil atingiu o alvo, mas o sistema de resfriamento colapsou. O cockpit foi inundado por vapor acre. Com a notificação de 'Última Chance' piscando em âmbar, ele foi forçado a abandonar a arena sob os olhares de escárnio.

O Setor de Salvamento tinha gosto de ozônio e metal em decomposição. Kaelen ignorou o aviso de radiação; seu traje remendado gemia sob a pressão. Ele tinha doze minutos antes que o cronômetro do sorteio bloqueasse o acesso ao depósito. Seu pai deixara apenas dívidas e a mancha de um piloto que morreu em um teste de rotina. Kaelen não seria o próximo.

Ele chutou uma carcaça, ouvindo o metal ecoar. As luvas fumegavam ao tocar condutores expostos. A dor era o custo de sua posição: o fundo da pirâmide. Ele avançou no setor proibido, ignorando os sinais de alerta. Lá, sob painéis de blindagem retorcidos, algo emitiu um zumbido de baixa frequência. Não era sucata. Era uma assinatura energética que não pertencia àquele lixão.

No hangar 42, um cubículo que parecia um túmulo para mechas obsoletos, Kaelen fechou a escotilha. Sobre a bancada, envolto em trapos, jazia o Módulo X. A superfície de polímero negro exibia uma geometria impossível, com circuitos que pulsavam sob a luz fraca. Ele sabia: se a administração descobrisse, seria sabotagem. Expulsão seria o menor dos problemas.

— Vamos ver do que você é feito — murmurou, a voz rouca.

Ele conectou os cabos de interface neural. O sistema de log iniciou uma varredura, mas Kaelen inseriu o spoof de código que levara meses para desenvolver, mascarando a assinatura. No instante do contato, o Módulo X brilhou sob a sujeira, pulsando em um ritmo que não deveria existir. A temperatura do cockpit subiu para níveis críticos. O chassi, antes um amontoado de ferro velho, começou a vibrar em uma frequência nova, faminta. Kaelen precisava vencer ou ser incinerado.

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