Chapter 11
O ar no porão da Rua 13 de Maio não era apenas quente; era denso, saturado com o cheiro de plástico derretido e a eletricidade estática de um sistema de segurança sendo forçado além de seus limites. Rafael observava a barra de progresso do upload no laptop: 91%. A conexão oscilava, drenada pela sabotagem que ele mesmo causara. O bunker, o cofre que guardara os segredos da linhagem Vasconcelos por décadas, gemia sob o peso do incêndio que ele iniciara para selar o destino daquela prova.
— Você acha que isso apaga o seu sobrenome, Rafael? — A voz do Enforcer ecoou, desprovida de qualquer pressa. Ele caminhava entre as colunas de fumaça com a elegância de um predador em seu território. Rafael recuou, a mão tateando por uma arma que não existia, encontrando apenas o calor sufocante. O silêncio lá fora era a prova mais cruel: as autoridades não viriam. O Enforcer exibiu um dispositivo de bloqueio de sinal, um pequeno tijolo de metal que tornava o mundo exterior surdo e cego.
— Eles têm interesse em que o herdeiro legal de J.V. seja visto cometendo um incêndio criminoso — continuou o Enforcer, parando a poucos metros. — O upload que você iniciou não é a queda deles. É a sua confissão. Você é o dono da conta, o herdeiro do patrimônio, o executor da herança. Se o bunker queimar, você queima com ele.
Rafael sentiu o estômago revirar. O erro de cálculo era brutal: a destruição física do bunker não era a libertação, era a armadilha final. O upload caiu para 92%, travado em um loop de latência. Ele não podia ficar ali
Preview ends here. Subscribe to continue.