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Chapter 11: O Preço da Justiça

Elias garante a transmissão do Livro Negro, mas descobre que Beatriz o usou como bode expiatório para incriminar o pai e os sócios. Enquanto o Patriarca é preso, Elias torna-se o novo alvo da rede de poder que ele mesmo ajudou a expor, forçando-o a fugir com o documento original.

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O Preço da Justiça

O brilho azulado da tela do celular era a única fonte de luz na cripta Lane, recortando o rosto suado de Elias e o cano frio da pistola do Inspetor. O contador de upload travou em 99%. Cada segundo era uma eternidade de granito e poeira.

— Desista, Elias. Você é um restaurador, não um mártir — o Inspetor disparou, a voz ecoando contra os túmulos seculares. — O Patriarca já limpou os rastros. Você está tentando salvar um fantasma em um sistema que já te apagou.

Elias sentiu o peso do Livro Negro original contra o peito, sob o casaco. O papel velho parecia pulsar como um coração condenado. Ele não olhou para a arma; seus olhos estavam fixos na barra de progresso. O Inspetor não estava ali para prendê-lo; ele estava ali para garantir que nada saísse vivo daquele subsolo.

— Você não entende — disse Elias, com a voz rouca. — O servidor principal que você tanto protege é apenas um chamariz. A rede já replicou os dados em seis jurisdições diferentes. No momento em que essa barra chegar ao fim, o império Lane não terá mais onde se esconder.

O Inspetor hesitou, o dedo crispado no gatilho. A dúvida cruzou seus olhos. Ele sabia que, se o que Elias dizia fosse verdade, o Patriarca não precisaria de um cúmplice, mas de um bode expiatório. E o Inspetor era o nome mais fácil de sacrificar. O celular emitiu um bipe seco. 100%. A transmissão estava completa. O império Lane começava a ruir em tempo real, enquanto o Inspetor, paralisado pela própria traição, via o sinal de confirmação ecoar no aparelho de Elias.

Lá em cima, no santuário, a realidade se desfazia. O Patriarca, com as mãos trêmulas pela primeira vez em trinta anos, observava a tela do terminal. A notícia do vazamento explodira na rede. Ele não olhou para a porta, onde o som de sirenes da Polícia Federal se aproximava, rasgando o silêncio da noite. Ele olhou para o próprio nome, destacado em rubrica na primeira página do documento vazado, ao lado de evidências que Beatriz, sua própria filha, havia plantado com precisão cirúrgica. Ela não apenas o derrubara; ela o vendera aos sócios.

— Destruam tudo — a voz do Patriarca saiu como um sussurro seco.

Os seguranças hesitaram, mas o Patriarca, movido por um desespero cego, agarrou um extintor e golpeou o servidor principal. Faíscas saltaram, o cheiro de ozônio e plástico queimado preenchendo o escritório. O servidor entrou em colapso, mas era tarde demais. O estrondo das portas do santuário sendo arrombadas pela Polícia Federal silenciou qualquer tentativa de resistência.

Elias conseguiu escapar da cripta durante a confusão. No corredor de pedra, Beatriz o esperava. Ela não parecia uma vítima; parecia uma estrategista que acabara de vencer uma partida de xadrez.

— O jogo acabou, Elias — ela disse, sem qualquer calor. — Meu pai precisava de um rosto para o crime. Você foi a escolha lógica. O Inspetor não está aqui para me prender, está aqui para garantir que o 'culpado' seja encontrado com o Livro original nas mãos.

Ela lhe entregou um passaporte falso e uma chave, um gesto de aparente clemência que trazia um veneno oculto.

— Seu nome já foi inserido no Livro como o arquiteto do vazamento. Você é o novo alvo dos remanescentes Lane.

Elias sentiu o peso do Livro em sua jaqueta. Ele destruíra o império, mas herdara a perseguição que antes era deles. Na praça central, a multidão gritava enquanto o Patriarca era levado algemado, um monólito de poder reduzido a pó. Elias se fundiu ao fluxo de curiosos, o capuz baixo, observando as luzes azuis refletirem nas fachadas coloniais.

Ele puxou o celular, a tela emitindo um brilho pálido. O noticiário global não trazia apenas a queda dos Lane. O banner principal, escarlate e agressivo, exibia seu nome completo, acompanhado de uma foto tremida tirada na entrada da oficina. Ele apagou o aparelho e subiu no primeiro ônibus que encontrou, sabendo que a caçada apenas começara.

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