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Chapter 1: Sucata de Elite e o Relógio da Dívida

Kaelen, sob ameaça de perder seu Mech e ser rebaixado, descobre que seu chassi é um protótipo limitado artificialmente. Ao ativar o protocolo de otimização, ele ganha poder, mas dispara os alarmes da Academia, iniciando uma caçada imediata.

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Sucata de Elite e o Relógio da Dívida

O ar no pátio da Academia tinha gosto de ozônio e metal queimado, um perfume de fracasso que grudava na garganta. Kaelen observava os jatos de refrigeração sibilarem ao redor de seu Mech, o Vulture-7, uma carcaça de aço exposta que mais parecia um túmulo do que uma máquina de combate. No telão holográfico acima, a nota de seu desempenho brilhava em um vermelho humilhante: Inapto para o Nível 1.

O silêncio da multidão era mais pesado que o próprio chassi. A Diretora Viana caminhava pelo pátio, seus saltos metálicos ecoando contra o concreto com a precisão de um carrasco. Cada passo era um lembrete da hierarquia que Kaelen nunca alcançaria.

— O lixo não sobe, Kaelen. Ele apenas ocupa espaço — a voz de Viana cortou o ar. Ela parou diante dele, os olhos frios varrendo o metal retorcido do Vulture. — O conselho votou. Seu contrato de aluguel para este chassi expira em vinte e quatro horas. Se não limpar o histórico de erros até lá, ele será enviado para a prensa. E você, para o setor de manutenção básica. Sem ranking, sem Torre, sem futuro.

Kaelen apertou os punhos até os nós dos dedos embranquecerem. A dívida de sua família, herdada de gerações de quedas nas camadas inferiores, não permitiria que ele fosse apenas um mecânico. Ele precisava daquela máquina. Ele precisava da subida.

— O chassi não falhou por defeito mecânico, Diretora — Kaelen respondeu, a voz firme apesar do desprezo dela. — O sistema de telemetria omitiu o pico de carga no setor quatro. Foi uma falha de software, não de pilotagem.

Viana soltou uma risada curta, um som sem calor. — O sistema não erra, Kaelen. Apenas pilotos medíocres procuram culpados na máquina. Vinte e quatro horas. Nem um segundo a mais.

Horas depois, na oficina subterrânea, o cheiro de graxa industrial substituiu o ozônio. O cronômetro holográfico na parede marcava 14:22:05. Menos de quinze horas para a prensa hidráulica transformar seu único patrimônio em cubos de metal reciclado. Kaelen não estava ali para chorar. Seus dedos, manchados de óleo, deslizavam freneticamente sobre o terminal de acesso, tentando contornar a criptografia que Viana havia imposto.

O firewall da Academia, um algoritmo agressivo que ele chamava de "Cão de Guarda", bloqueava seus comandos. Toda vez que ele se aproximava de um setor corrompido, o sistema enviava um pulso de erro, forçando uma reinicialização. A cada falha, o cronômetro piscava em vermelho, acelerando a contagem regressiva por penalidade de acesso.

— Vamos, sua carniça... — murmurou ele. O segredo não estava na RAM, mas em um setor oculto de diagnóstico, um log de batalha que não deveria existir em um modelo de treinamento. Kaelen forçou um comando de override, ignorando o aviso de expulsão iminente. De repente, a tela se estabilizou. Não era um erro. Era um protocolo de limitação de fábrica. O Vulture não era sucata; era um protótipo de alto desempenho, capado por um firmware de segurança projetado para impedir que modelos antigos superassem as novas unidades da Academia.

Renata apareceu na entrada da oficina, sua silhueta esguia projetando uma sombra longa sobre o concreto. Ser vista com um pária em véspera de descarte era um suicídio social.

— Se você ativar esse protocolo, Kaelen, não haverá volta — ela disse, a voz cortante como um estilhaço. — A rede da Academia vai detectar a assinatura. Eles vão te caçar antes mesmo de você chegar à base da Torre.

Kaelen ignorou o aviso, inserindo o registro de batalha corrompido nos arquivos mortos. A tela exibiu uma série de strings de código proibidas.

— Eles não querem pilotos de elite, Renata. Eles querem engrenagens que saibam a hora de parar — Kaelen respondeu, pressionando a tecla de execução.

O chassi, antes inerte e coberto de ferrugem, começou a vibrar. Uma luz pulsante e antinatural emanou das juntas do metal, uma assinatura de energia que não deveria existir. O Mech despertou com um rugido de baixa frequência que fez as paredes da oficina tremerem. No painel, o cronômetro de reatribuição desapareceu, substituído por um alerta de sistema em letras douradas: Protocolo de Otimização Ativo.

Então, o alarme da Academia começou a uivar, um som ensurdecedor que sinalizava que o segredo havia sido descoberto. Os sensores da rede de segurança, agora em alerta máximo, começaram a convergir para a oficina, detectando a assinatura proibida que Kaelen acabara de liberar.

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