O Andar Proibido
O metal da porta da oficina rangeu, não sob o peso de uma inspeção, mas sob o impacto de uma carga de plasma. Lascas de ferro incandescente choveram sobre a bancada, e o ar, antes saturado com o cheiro de óleo e solda, tornou-se um veneno de ozônio e poeira.
— Kaelen, o firewall caiu para 12%! Se eles acessarem o núcleo, a raiz da Torre será purgada — Mira gritou, os dedos embaçados sobre o painel holográfico. Ela não olhou para trás; não precisava. O som das botas magnéticas do Esquadrão Silenciador no corredor era o tique-taque de uma execução iminente.
Kaelen sentiu o feedback neural da rede local. Não eram unidades de contenção; eram deletadores. Com 21 horas restantes para o despejo, a Torre havia decidido que ele era um erro sistêmico a ser corrigido. Ele viu a assinatura digital dos drones de elite: fria, precisa, impiedosa.
— Saia da frente — Kaelen rosnou, empurrando Mira para o lado. Ele não tinha tempo para sutilezas. Injetou o código proibido da Equipe Sete diretamente no terminal. O sistema da oficina soltou um guincho supersônico, uma sobrecarga de energia que fez as luzes estourarem. A rede local tornou-se um campo minado de feedback elétrico, fritando os circuitos dos drones antes que cruzassem o limiar. A oficina ruiu, mas eles já estavam nos dutos de ventilação, fugindo como ratos em um labirinto de metal.
O 6º andar era um pesadelo de refrigeração. Cada passo sobre a grade enviava espasmos de dor pela interface neural de Kaelen. Ele via a Torre agora como ela realmente era: um processador de dados que usava a consciência de pilotos como hardware descartável. Mira, à frente, ajustava o terminal portátil, o rosto pálido sob a luz de emergência.
— Eles estão reescrevendo nossa existência no diretório, Kaelen. Seus créditos sumiram. Você foi deletado da lista de climbers oficiais — ela sussurrou, a voz trêmula. — Somos fantasmas agora.
— Deixe que deletem. Eu tenho o mapa — ele respondeu, a visão oscilando entre o duto e a planta da estrutura proibida que ele carregava em seu frame. Eles alcançaram o elevador de carga, o último elo para o nível superior. Kaelen desmaiou assim que as portas se fecharam, o peso das memórias corrompidas da Equipe Sete sobrecarregando seu sistema.
Quando despertou, o ar era frio, estéril. Estava na câmara do Guardião, o núcleo proibido. O silêncio era absoluto, exceto pelo zumbido dos servidores que continham as consciências fragmentadas de seus antecessores. Ele baixou o log de execução da Equipe Sete, uma prova irrefutável da purga de Valerius. O upload começou, mas o sistema reagiu.
O Guardião se materializou. Era um modelo de elite, uma lenda das arenas, agora uma carcaça animada por uma IA que Kaelen reconheceu com um choque de horror: os restos de seu mentor. A IA avançou com uma precisão que ignorava as leis da física.
— Identificado: Ameaça de Nível Sênior — a voz da IA ecoou, desprovida de humanidade, mas carregando o peso de uma mentoria traída.
Kaelen forçou seu frame Mark-III a se levantar, os circuitos sibilando. Ele não era mais um climber tentando subir; ele era um vírus no coração do sistema. Enquanto o Guardião preparava o golpe final, o sistema de defesa da Torre iniciou o protocolo de eliminação total. O destino final estava aberto, e a caçada apenas começava.