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Chapter 5: Sincronia de Aço e Sangue

Kaelen sobrevive à tentativa de purga de Valerius ao forçar uma sincronia de 70% com o módulo proibido. Ele ascende ao próximo andar, apenas para descobrir que o nível é uma prisão de baterias humanas. O sistema tenta revogar sua licença, mas o módulo assume o controle da rede de registro.

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Sincronia de Aço e Sangue

O painel de Soraia não exibia um aviso de manutenção; era uma sentença de morte em código binário. O sistema da Torre, antes inerte, pulsava em um vermelho agressivo, tentando purgar a licença de escalada que Kaelen arrancara de Valerius.

— O registro está sendo sobrescrito — Soraia disparou, os dedos voando sobre os consoles de sucata. — Valerius não está apenas tentando revogar seu acesso; ele enviou um protocolo de 'limpeza de anomalia'. Se a Torre confirmar que seu frame carrega o módulo proibido, ela não vai apenas te desqualificar. Ela vai desintegrar o chassi com você dentro.

Kaelen sentiu o calor do motor vibrar contra sua espinha. O cronômetro da dívida, congelado desde a vitória na arena, disparou novamente. A cada milissegundo de resistência, sua cota de energia era drenada para alimentar a própria defesa da Torre. Ele não esperou. Ativou o módulo proibido, forçando a interface neural a ignorar os protocolos de segurança. A dor foi imediata, como agulhas de gelo perfurando sua nuca, mas a rede da Torre se abriu. Ele não estava apenas hackeando a licença; estava se fundindo à estrutura de dados do nível.

— A sincronia subiu para setenta por cento, Kael — a voz de Soraia soou distante, abafada pela estática. — Se você subir para o próximo nível com essa taxa, o frame vai começar a reescrever sua memória de curto prazo para otimizar o processamento. Você está avisado.

Kaelen não respondeu. Seus dedos, fundidos aos controles táteis, sentiam a pulsação do reator como seu próprio coração. A dívida manifestava-se como uma drenagem de energia visível: o sistema da Torre cobrava o preço do overclock em milissegundos de vida útil do hardware. Ele era uma 'Ameaça em Observação', e a Torre estava faminta por sua falha.

O zumbido estático no comunicador neural interrompeu a calibração. A voz de Valerius cortou a interface como uma lâmina: — Eu vi o código da sua anomalia, Kaelen. Você acha que o Módulo Proibido é um atalho para o topo? É uma sentença de morte. Abandone a ascensão ou farei com que seu sistema colapse antes do primeiro andar.

Kaelen sorriu, o suor escorrendo pelos olhos enquanto injetava uma sequência de dados corruptos na rede de Valerius. Ele mascarou sua assinatura energética, simulando uma sobrecarga catastrófica que parecia emanar do Módulo.

— O Módulo não está instável, Valerius — Kaelen sibilou, manipulando o feedback para que o inimigo sentisse o calor da falsa detonação. — Ele está acordando.

O silêncio de Valerius foi absoluto. A pressão na rede subiu, fervilhando como metal derretido. O predador arrogante havia mordido a isca, e a hesitação do Comandante abriu a brecha que Kaelen precisava para o elevador de carga.

O elevador rangeu, um som metálico de agonia que ecoou pelo poço escuro. O impacto da trava de segurança soou como um tiro. As portas de aço reforçado deslizaram, revelando uma penumbra densa, saturada pelo cheiro de ozônio e fluido hidráulico queimado. Não havia público, nem juízes. Kaelen deu um passo à frente, os servos de seu frame zumbindo em protesto contra a pressão atmosférica alterada.

— Soraia, você está recebendo isso? — ele perguntou. Apenas estática respondeu.

Kaelen ajustou os sensores ópticos, forçando o módulo proibido a processar o espectro infravermelho. A cena que se desdobrou diante dele fez seu sangue gelar. O andar não era uma arena. Era um necrotério de aço. Fileiras intermináveis de frames de combate, muitos deles modelos de gerações passadas, estavam acorrentados a pedestais de contenção. Eles não estavam apenas descartados; estavam sendo usados como baterias humanas, seus sistemas vitais drenados para alimentar a própria Torre. O próximo andar era uma prisão de alta segurança, e o sistema da Torre, sentindo a intrusão de Kaelen, iniciou o protocolo de purga total. O registro de sua licença começou a piscar em cinza, prestes a ser deletado, mas o Módulo Proibido, agindo com uma autonomia voraz, agarrou-se aos nós da rede, travando o sistema em um loop de autenticação forçada.

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