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Chapter 11: Cinzas e Neon

Após expor a corrupção de Vane durante o Desafio de Elite, Kael é resgatado por Sora enquanto seu frame colapsa. O sistema de dívida da Academia entra em colapso, mas Kael fica sem seu mech e sob ameaça constante. A dupla descobre que a ascensão real agora exige navegar uma rede subterrânea de pilotos de elite.

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Cinzas e Neon

O zumbido dos circuitos do Sucata-01 não cessou com um estalo, mas com um suspiro metálico. O silêncio que se seguiu na arena era mais pesado que a própria gravidade. Kael, preso no assento do cockpit, sentiu o cheiro de ozônio e isolante queimado penetrar sua máscara. À sua frente, o display de telemetria oscilava, exibindo as últimas linhas de transmissão: o log de corrupção da Academia, a manipulação de Vane, a prova final de que a escada era um truque forjado. O sistema de dívida de Kael, antes uma contagem regressiva de juros esmagadores, agora piscava em erro crítico, congelado sob o peso da exposição pública.

Fora da blindagem, o caos era absoluto. A arena, um cenário de neon e óleo, fervia com o rugido da multidão. O que deveria ser a execução de um azarão pela segurança da Academia transformou-se em um levante. Kael observou pelos sensores periféricos, ainda ativos, os guardas de Vane recuarem, suas armas de contenção inúteis diante do mar de cidadãos que invadiam o perímetro de segurança. O brilho das telas gigantes refletia nas poças de óleo negro sob seus pés, projetando a imagem do rosto humilhado de Vane para toda a cidade.

— Kael, responda! — a voz de Sora chiou no rádio, cortante. — O núcleo Égide está em colapso térmico. Se você não ejetar, a carcaça vai virar seu caixão.

Kael tentou mover o braço mecânico do frame. Nada. O feedback tátil era inexistente; o Sucata-01 estava morto. Ele não podia sair. Era o centro daquela tempestade, e se saísse agora, seria apenas um alvo para os executores de Vane que ainda rondavam as sombras da arena. Ele precisava de Sora.

Sora não esperou o protocolo. Ela ignorou os gritos dos oficiais da Arena e avançou com o veículo de carga adaptado, os pneus rangendo contra o concreto polido. Ela precisava chegar antes que os executores confiscassem o frame.

— Kael, solte as travas magnéticas agora! — ela ordenou, sobrepondo-se ao caos.

Kael sentiu o sangue escorrer pela têmpora, mas focou no comando manual. Com um esforço que fez seus músculos gritarem, ele desconectou o link neural. O Sucata-01, sem a sustentação do Fluxo, cedeu completamente. Sora acionou o guincho, arrastando o frame para fora da arena enquanto as luzes de contenção da Academia varriam o metal retorcido em busca de vingança. Eles escaparam sob o manto da revolta popular, o Sucata-01 balançando como um cadáver de aço na carroceria do veículo.

Horas depois, na oficina clandestina, o ar estava denso com o cheiro de metal fundido. Kael estava caído sobre a bancada, o braço esquerdo imobilizado, observando Sora trabalhar sob a carcaça inerte do Sucata-01. O mech, antes uma máquina de guerra pulsante, parecia agora apenas um amontoado de metal retorcido.

— A telemetria foi enviada, Kael — Sora murmurou, sem desviar os olhos dos circuitos. — A Academia está em chamas, Vane está sendo esfolado vivo pela opinião pública. Mas o preço... olhe para isso.

Ela apontou para o núcleo do frame. O metal ao redor estava fundido, uma cicatriz permanente do uso excessivo do Fluxo de Sucata. O Sucata-01 não estava apenas danificado; ele estava morto. Para reconstruí-lo, o custo seria proibitivo, e sem a proteção do status de ranking — agora bloqueado por uma auditoria interna da própria Academia em colapso — os credores não esperariam. Eles viriam buscar o que restava antes que a poeira baixasse.

Kael tocou a carcaça fria. A dívida não havia sumido; ela apenas mudara de mãos, tornando-se mais faminta. Ele sentia o peso de cada grama de metal, cada peça que precisaria substituir para não ser engolido pela próxima onda de executores.

— Não vou me submeter a eles — murmurou Kael, a voz rouca. — Se o sistema bloqueou o ranking, nós vamos forçar a entrada pelo subsolo.

Sora estendeu um terminal portátil. A tela piscava com uma assinatura de dados criptografada, um convite direto da rede subterrânea de pilotos de elite. A escada real não exigia mais permissão da Academia; ela exigia sobrevivência. Kael olhou para o frame inoperante e depois para a cidade, onde o neon brilhava sobre o caos. A luta pela sobrevivência tinha acabado; a guerra pela ascensão estava apenas começando.

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