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Chapter 9: O Torneio de Ascensão

Kael sobrevive à Auditoria de Sucata utilizando o dissipador de Classe A para absorver a carga iônica de Silas, vencendo Elena Vane e forçando uma exposição pública que coloca o Diretor Silas na mira da rede nacional.

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O Torneio de Ascensão

O ar no hangar subterrâneo era espesso, carregado com o cheiro metálico de ozônio e o suor frio de quem não tem margem para erro. Kael apertou o último parafuso do dissipador de carga de Classe A no peito do Ferrugem. A peça, uma relíquia banida que ele arrancara das entranhas da rede da Academia, emitia um zumbido azulado, um batimento cardíaco artificial que parecia zombar da carcaça surrada do seu frame.

— Vamos lá, velho amigo — murmurou Kael. Sua voz soou estranha no silêncio do hangar, um contraste brutal com o zumbido constante dos servidores da Academia acima de sua cabeça.

Ele conectou a interface neural. A sincronia foi imediata, violenta. Kael sentiu cada microfissura na estrutura do Ferrugem como se fossem cicatrizes em sua própria pele. O contador de dívida em seu display de pulso brilhava em um vermelho agressivo: 04:52. Menos de cinco minutos para o início da Auditoria de Sucata. Silas não estava apenas testando sua habilidade; ele havia saturado a arena com descargas iônicas letais, uma armadilha desenhada para fritar o Ferrugem antes mesmo da primeira volta.

Na Arena de Provas, o ambiente era uma câmara de execução. Quando as bobinas dispararam, arcos de eletricidade azulada cortaram o espaço, transformando o ar em um chicote de energia. O frame ao lado de Kael, um modelo de elite pilotado por um aspirante da alta casta, travou instantaneamente. Seus circuitos colapsaram em uma chuva de faíscas.

Kael não recuou. Ele forçou a sincronia, canalizando a sobrecarga iônica através do dissipador. A dor disparou por seus nervos, um incêndio branco que ele transformou em um pulso de aceleração. O Ferrugem avançou, a estrutura de metal rangendo sob a pressão magnética, enquanto ele projetava a máquina contra o flanco de Elena Vane.

— O que você está fazendo? — Elena gritou pelo canal aberto, sua voz carregada de uma indignação que não escondia o pavor.

Kael ignorou-a. Ele acessou a rede interna, usando o Ferrugem como chave mestra para corromper os sensores de Elena, forçando-a a um erro tático que a tirou da prova. A plateia, antes hostil, começou a vibrar. O nome de Kael ecoava nas arquibancadas, um som que fez Silas, na galeria superior, cerrar os punhos em fúria.

Após a vitória, Kael foi retirado do cockpit em estado de choque. Ele estava na Ala Médica, a visão oscilando entre o foco nítido das luzes de emergência e o borrão escuro da exaustão. Elena Vane confrontou-o, sua silhueta impecável contrastando com a sujeira de graxa e sangue de Kael.

— Silas não contava que você fosse estúpido o suficiente para absorver a descarga diretamente — ela disse, a voz vacilante.

Kael ignorou-a, seus olhos fixos no monitor principal. A transmissão nacional da Academia estava ao vivo. Silas aparecia em plano fechado, pregando sobre a integridade das provas, enquanto o Ferrugem era exibido como uma anomalia prestes a ser removida. Kael sentiu o corpo queimar, cada fibra muscular em agonia, enquanto o contador de dívida travava nos trinta segundos finais. O frame atingia a sincronia total, tornando-se uma extensão de seus nervos, mas o preço físico era brutal. Enquanto o sinal de transmissão subia para a rede nacional, Kael sabia que o próximo pulso de poder poderia ser o último a ser suportado por seu corpo. A corrupção de Silas estava prestes a ser exposta, mas o custo daquela verdade seria pago com seu próprio sangue.

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