A Máscara de Porcelana
O espelho do camarim privativo não refletia uma mulher, mas uma estratégia de sobrevivência. Helena ajustou o decote do vestido de seda azul-noite, sentindo o tecido caro roçar sua pele como uma promessa de asfixia. As joias de família, emprestadas por Arthur para garantir a autenticidade da farsa, pesavam em seu pescoço — um lembrete constante de que, por quarenta e oito horas, ela era um ativo sob custódia.
A porta se abriu sem aviso. Arthur Viana entrou, o terno impecável, o olhar percorrendo-a com a frieza de quem inspeciona uma aquisição de alto risco. Ele não buscava beleza; buscava conformidade.
— O conselho e
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