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Chapter 2: A Farsa sob os Holofotes

Elena sobrevive à primeira aparição pública como noiva de Arthur, mas percebe que sua proteção é puramente transacional. Ao ser deixada sozinha na cobertura de Arthur, ela descobre uma carta de Beatriz que sugere que a fuga da noiva original foi um ato de sobrevivência, não de medo.

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A Farsa sob os Holofotes

O ar-condicionado do Clube Harmonia, potente o suficiente para congelar o suor de mil convidados, não era páreo para o calor que subia pela espinha de Elena. Ao seu lado, o braço de Arthur era uma barra de aço, não um apoio. Cada passo em direção ao centro do salão de baile era uma marcha fúnebre para a sua antiga vida. O contrato, assinado minutos antes em um escritório privativo, pesava na bolsa como uma sentença de morte.

— Lembre-se, Elena — a voz de Arthur era um sussurro gélido, uma frequência baixa que apenas ela podia captar. — O seu pai não sobrevive a mais uma manchete sobre falência. Sorria. Você é a mulher que salvou a fusão, não a que foi arrastada para ela.

Elena forçou os músculos do rosto, sentindo a pele repuxar sob a máscara de elegância. O salão era um oceano de vestidos de alta costura e olhares predatórios. A ausência de Beatriz era o segredo mais mal guardado da elite paulistana; os sussurros circulavam como eletricidade estática. Se ela vacilasse, seria o alvo principal de uma sociedade que se alimentava de fraqueza.

— Eles estão vindo — murmurou ela, avistando um grupo de colunistas sociais liderado por Ricardo Viana.

Arthur não hesitou. Ele a puxou para mais perto, a mão firme em sua cintura, criando uma barreira intransponível. A posse estratégica de seu corpo não era um gesto de afeto, mas uma declaração de domínio que silenciou os sussurros imediatos. Viana, porém, rompeu o círculo de seguranças com um sorriso predatório.

— Arthur! — a voz do jornalista cortou o burburinho. — Rumores circulam de que Beatriz abandonou o noivado há menos de uma hora. Por que, então, a senhorita Elena está usando o anel da família? Isso é uma substituição de conveniência ou um desespero corporativo?

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Elena sentiu o sangue fugir de seu rosto. Arthur, contudo, não piscou. Ele apenas inclinou a cabeça, mantendo Elena colada ao seu peito. A mão em sua cintura apertou-se, um aviso silencioso para que ela não tremesse.

— Beatriz está indisposta — Arthur disse, a voz calma e carregada de uma autoridade que não admitia contestação. — E Elena, como minha futura esposa, tem o direito e o dever de representar nossa aliança. Algum outro problema, Viana? Ou prefere que eu retire o patrocínio da sua coluna desta noite?

O jornalista empalideceu, recuando diante da ameaça velada. Elena percebeu, com um choque de realidade, que Arthur não a protegera por bondade; ele a usava como um escudo para manter o valor de suas ações.

No trajeto de volta, dentro do Rolls-Royce, o silêncio era tão denso quanto o estofamento de couro. Arthur conferia notificações em um tablet, a luz azul esculpindo um rosto talhado em gelo.

— O contrato está no porta-luvas — disse ele, sem desviar o olhar. — A cláusula de confidencialidade é absoluta. Qualquer vazamento, e a dívida do seu pai será executada imediatamente.

Elena abriu o documento. Não era um casamento; era uma aquisição.

— Você já tinha isso preparado, não tinha? — A voz dela saiu firme, apesar do tremor interno. — A fuga de Beatriz... você não pareceu surpreso. Você apenas me esperou.

Arthur travou os dedos no tablet e virou-se para ela. Seus olhos escuros, desprovidos de qualquer calor, analisaram-na como se ela fosse uma engrenagem defeituosa que precisava de ajuste. Antes que pudesse responder, o carro parou na cobertura do Itaim Bibi. Assim que a porta blindada se fechou atrás deles, Arthur foi chamado por uma urgência corporativa, deixando-a sozinha no vazio luxuoso de seu escritório.

Elena não era uma convidada; era um ativo em trânsito. Movida por uma necessidade desesperada de encontrar uma fenda na armadura de seu captor, ela tateou o escritório. Entre as estantes de mogno, um compartimento discreto estava entreaberto. Seus dedos tremeram ao puxar um envelope de papel pesado. Dentro, não havia documentos de fusão, mas uma carta escrita à mão pela própria Beatriz. A caligrafia era urgente, frenética.

O som de passos pesados no corredor a fez congelar. Arthur estava voltando. Ela escondeu o envelope contra o peito, o coração martelando, consciente de que o jogo de poder acabara de mudar de mãos.

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