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Chapter 4: Chapter 4

Helena enfrenta a nova realidade de sua dependência absoluta de Arthur após a destruição da prova da fraude. Durante a gala, a pressão social aumenta quando um sócio questiona sua submissão, forçando Arthur a uma demonstração pública de posse. O capítulo encerra com a aparição de Ricardo Viana, um rival que conhece a verdadeira identidade de Helena, elevando o risco de exposição e consolidando a necessidade de proteção de Arthur.

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Chapter 4

O cheiro de papel queimado ainda impregnava o escritório de Arthur, um odor acre que parecia se entranhar no tecido caro do vestido de gala de Helena. No cinzeiro de cristal, os restos carbonizados do documento de 2018 eram apenas sombras disformes. Helena sentia o peso do envelope escondido sob o seu decote — o contrato da dívida de 4,7 milhões — como uma lâmina fria contra a pele. A prova física da fraude de Isadora havia sumido, e com ela, qualquer ilusão de que Helena poderia negociar sua saída.

Arthur, parado diante da janela, observava o salão de gala abaixo com a postura de um monarca que não precisa de coroa para ser reconhecido. Ele se virou, os olhos escuros examinando a palidez dela com uma precisão cirúrgica.

— Você destruiu a única coisa que me dava poder sobre você — Helena murmurou, a voz firme, embora seu coração martelasse contra as costelas.

— Eu destruí uma prova que, se exposta, destruiria o que resta da sua linhagem, Helena — ele respondeu, aproximando-se. Não havia calor em seu tom, apenas a autoridade de quem detém a verdade. — Você não tinha o estômago para usar aquela arma. Agora, sua sobrevivência depende inteiramente da minha discrição. A dívida vence à meia-noite. E você, como a noiva que todos esperam, é a minha garantia de que nenhum outro segredo vazará.

Ele estendeu a mão, não para tocá-la, mas para oferecer uma escolha implícita: o abismo ou a coleira. Helena a aceitou, sentindo o choque térmico do contato quando ele a guiou de volta ao salão.

O ambiente era denso, carregado pelo perfume de luxo e pela ambição predatória da elite paulistana. Arthur mantinha a mão na base de sua coluna, um toque que, para os observadores, parecia uma carícia possessiva, mas que para ela funcionava como uma contenção física. A cada passo, o papel escondido em seu decote era um lembrete constante de sua servidão.

— Sorria, Helena. Estamos sob o microscópio — Arthur sibilou perto de seu ouvido, um rosnado baixo que a obrigou a curvar os lábios em um sorriso forçado.

Foram interceptados por Roberto, um sócio cujos olhos varreram Helena com uma curiosidade insaciável.

— Arthur, que surpresa vê-lo tão bem acompanhado — disse Roberto, balançando sua taça de cristal. — Isadora sempre foi volátil, quase autodestrutiva. Mas hoje, ela parece contida. Adestrada, talvez?

O silêncio que se seguiu foi cortante. Helena sentiu o peso do olhar de Arthur sobre ela, uma pressão que exigia que ela mantivesse a fachada, mas que a impedia de revidar. Arthur não respondeu com palavras; ele apenas apertou a cintura dela, puxando-a para mais perto, um gesto de domínio público que calou o sócio instantaneamente. Helena percebeu, com um calafrio, que a proteção de Arthur tinha um preço: ele a estava transformando em um objeto de sua propriedade, e a única forma de sobreviver era aprender a jogar esse jogo melhor do que ele.

Eles se refugiaram no terraço, onde o ar noturno trazia um alívio momentâneo, mas a tranquilidade foi quebrada por Ricardo Viana. O rival de Arthur emergiu das sombras com uma arrogância calculada, seus olhos fixos em Helena.

— Arthur, sempre cercado pelas melhores aquisições — Ricardo comentou, parando a uma distância imprópria. Seu olhar desviou-se para Helena, carregado de uma voracidade cruel. — Ou deveria dizer, pelas substituições mais desesperadas? A pequena impostora dos Albuquerque tem um gosto refinado para o perigo. Eu sei quem você é, Helena. E sei que o ledger original não está com os Albuquerque.

Helena sentiu o sangue fugir de seu rosto. O segredo da fraude de 2018 não era mais apenas uma alavanca de Arthur; era uma arma apontada para sua cabeça por um homem que não tinha nada a perder. Arthur deu um passo à frente, bloqueando a visão de Ricardo sobre ela, sua presença tornando-se uma muralha intransponível. A tensão no terraço atingiu o ponto de ruptura, e Helena compreendeu que, a partir daquele momento, ela não estava apenas presa a um contrato de dívida; ela estava presa à órbita de um homem que, para protegê-la de outros, exigiria a entrega total de sua autonomia.

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