O Jogo de Espelhos
A vista de São Paulo, do trigésimo andar da cobertura dos Viana, parecia uma placa de circuito impresso onde cada luz era uma dívida esperando para ser cobrada. Beatriz não se deixou impressionar pelo brilho artificial. Ela observava o reflexo de Arthur no vidro fumê, parado atrás dela com a postura tensa de quem, pela primeira vez, não tinha o controle total do tabuleiro.
— O dossiê sobre as contas do meu pai não é um pedido de desculpas, Arthur. É o meu seguro — a voz de Beatriz cortou o silêncio da sala, firme como o aço que ela agora sentia pulsar em suas veias. — Você me trouxe para este jogo pensando que eu seria a noiva silenciosa que liquida uma dívida de sangue. Você errou.
Arthur girou o copo de
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