O Preço da Humilhação
O brilho dos cristais no teto do Hotel Fasano não iluminava o salão; ele o expunha. Beatriz ajustou o decote do vestido de seda, sentindo a ponta das unhas cravarem na palma das mãos até a pele arder. Não era o luxo que a sufocava, mas a precisão cirúrgica com que a elite paulistana desviava o olhar ao vê-la passar. Naquela economia de visibilidade, a piedade era uma moeda que ninguém queria gastar com uma noiva abandonada no altar há menos de um mês.
— Você tem coragem, Beatriz. Admiro isso — a voz de Ricardo veio de trás, carregada de um escárnio que ele nem se deu
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