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Chapter 8: Segredos de Aço e Vidro

Beatriz confronta Rafael sobre o envolvimento de seu sócio no crime financeiro que arruinou sua família. Rafael admite que sabia e tentava conter o dano para proteger a holding e Beatriz. Em vez de destruir a empresa, Beatriz exige uma renegociação total do contrato de noivado, transformando sua posição de 'ativo' para 'parceira de poder'.

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Segredos de Aço e Vidro

O ar-condicionado da limusine parecia incapaz de dissipar o calor residual do salão do Fasano. Beatriz ajustou o colar de diamantes, sentindo o peso da joia não como um adorno, mas como a armadura de quem acabara de ditar o destino de seu ex-noivo. Ao seu lado, Rafael permanecia em silêncio, a postura rígida como as vigas de aço que sua holding erguia pela cidade. Ele não a olhava, mas a tensão em seu maxilar denunciava que a performance pública de Beatriz — a noiva impecável que, na verdade, acabara de humilhar publicamente os Vasconcelos — não passara despercebida.

— Você hesitou — disse ela, a voz cortante, sem desviar o olhar da paisagem noturna de São Paulo. — Quando o seu sócio tentou intervir na conversa com os investidores, você não o silenciou de imediato. Você esperou. Por quê?

Rafael virou o rosto. Seus olhos, normalmente frios e calculistas, carregavam uma sombra que Beatriz não reconhecia. Ele não tentou os galanteios superficiais que usava para manter a imprensa afastada. Ele apenas observou a forma como ela mantinha o dossiê da família Vasconcelos contra a lateral do banco, um lembrete físico de que o contrato de fachada estava perdendo a utilidade.

— O jogo que você está jogando, Beatriz, não é apenas sobre o seu passado — a voz dele era um murmúrio grave. — Envolver o meu sócio no escândalo da sua família é abrir uma ferida que pode derrubar o império que te dá essa proteção. Você não conhece as engrenagens que giram aqui.

De volta à cobertura nos Jardins, o ambiente era uma caixa de vidro e aço suspensa sobre o caos da metrópole, mas, naquela noite, parecia uma câmara de interrogatório. Beatriz caminhou até a mesa de ébano, seus passos ecoando com uma precisão que ela não tinha meses atrás. Ela não se sentou. Colocou o dossiê sobre a superfície polida entre eles.

— O crime financeiro que drenou as contas dos Vasconcelos não foi uma falha sistêmica. Foi uma assinatura — disse ela, a voz desprovida de tremor. — Você escondeu isso para me 'proteger' ou para garantir que eu continuasse sendo uma noiva submissa e grata?

Rafael girou a cadeira. O cinismo habitual fora substituído por algo mais denso, uma tempestade de controle que ele lutava para manter sob rédeas curtas.

— Eu sabia — admitiu ele, a voz cortando o silêncio como uma lâmina. — O desvio de fundos começou há dois anos. Tentei drenar o sócio discretamente, recuperar cada centavo para que a holding não colapsasse e para que o seu nome, Beatriz, não fosse arrastado para a lama que ele criou.

Beatriz sentiu o peso da revelação. O império de Rafael, a estrutura que ela usava como escudo, era construído sobre a areia movediça da traição de um homem em quem ele confiava. Se ela entregasse os documentos agora, a holding ruiria, levando consigo a sua própria ascensão social e o fundo de caridade que ela, com tanto custo, havia assumido.

— Você me protegeu por egoísmo ou por estratégia? — ela perguntou, a voz firme, embora o coração martelasse contra as costelas. Ela não era mais a noiva substituta que aceitava migalhas; ela era a mulher que segurava o gatilho.

Eles subiram para o terraço. O vento noturno soprava, mas a tensão entre os dois era um campo magnético que ia muito além do contrato de fachada. Rafael aproximou-se, invadindo seu espaço, o perfume amadeirado e o calor de seu corpo sendo uma presença física que Beatriz aprendera a usar como arma.

— Você não vai entregar esse dossiê à polícia hoje — a voz dele era um comando, mas, pela primeira vez, continha uma nota de hesitação, um vestígio de vulnerabilidade. — O sócio é um monstro, mas derrubá-lo agora significa expor os esqueletos da holding antes que eu tenha o controle total da fusão. Você destruiria a empresa que está tentando herdar.

Beatriz virou-se, o olhar fixo no dele, sem recuar.

— Eu não quero destruir a empresa, Rafael. Eu quero o controle que me foi negado por gerações — ela respondeu. — O seu sócio será o bode expiatório. Ele cometeu o crime, ele pagará a conta. Mas você... você vai renegociar cada termo do nosso acordo.

Rafael a encarou, o brilho em seus olhos mudando de possessividade para um reconhecimento sombrio. Ele sabia que ela tinha razão. Ele admite que o segredo do sócio pode custar o império, mas, ao vê-la ali, tão implacável e necessária, ele percebeu que a segurança dela se tornara seu norte.

— Eu prefiro perder tudo — ele sussurrou, a confissão pairando no ar frio do terraço — a ver você em perigo por causa da minha negligência. O império é seu se você decidir que ele vale a pena ser salvo.

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