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Chapter 7: O Baile da Vingança

Beatriz retorna ao Fasano, transformando sua humilhação passada em uma demonstração de poder. Ela confronta o ex-noivo falido, usando sua nova posição como noiva de Rafael para selar a ruína social dele, enquanto navega a possessividade crescente de Rafael.

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O Baile da Vingança

O espelho da suíte nos Jardins não refletia a mulher que, meses atrás, fora expulsa do saguão do Fasano sob o peso de uma herança desfeita. O vestido de seda azul-noite, estruturado com barbatanas que forçavam uma postura impecável, não era um presente; era uma armadura. Rafael surgiu no reflexo, ajustando os punhos da camisa com a precisão de quem inspeciona um ativo de alto valor. Ele não disse que ela estava bonita. Disse que o traje era o adequado para a imagem que a holding exigia.

— Você insiste nos diamantes — Rafael comentou, a voz cortando o ar como uma lâmina. — Minha equipe trouxe as safiras. São mais condizentes com o peso da nossa fusão.

Beatriz não se virou. Tocou o lóbulo, sentindo o peso frio do diamante que ela mesma escolhera. O controle não estava na joia, mas na recusa em ser adornada por ele.

— As safiras atraem olhares pela ostentação, Rafael — ela respondeu, girando nos calcanhares. O movimento da saia foi deliberado. — Os diamantes atraem a atenção pela elegância de quem não precisa provar nada. Se o seu objetivo é que eu pareça uma extensão do seu império, precisa entender que uma extensão sem vontade própria é apenas um objeto. E objetos não impõem respeito em um conselho de sócios.

Rafael deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal. Seus olhos escuros brilharam com uma faísca que não parecia apenas controle estratégico, mas uma possessividade predatória. Ele estendeu a mão, não para tocá-la, mas para ajeitar uma mecha de cabelo, um lembrete físico de quem detinha a coleira.

— Respeito se conquista, Beatriz. Hoje, no baile, você não vai apenas conquistar. Você vai lembrar a todos por que você é a minha noiva.

No salão do Fasano, o ar condicionado parecia uma lâmina de gelo. Beatriz não estava ali como a noiva descartável de outrora; cada passo sobre o mármore era uma declaração de poder. A mão de Rafael em sua lombar não era carinho, mas uma marca de propriedade que os sócios reconheciam instantaneamente.

— Você está tensa — murmurou ele, o tom baixo carregado daquela possessividade que ela aprendera a identificar como sua nova corrente de ouro.

— Estou lendo o ambiente — rebateu ela, sem desviar o olhar do grupo de investidores que, até pouco tempo, a ignorava. — Eles olham calculando quanto tempo levará até que eu seja substituída por um ativo mais lucrativo.

Rafael apertou sua cintura, um aviso silencioso. — Eles olham porque temem o que você descobriu sobre o fundo de caridade. Sua influência ali é um poder de veto sobre a imagem pública deles. Eles odeiam isso.

Beatriz sentiu o peso do dossiê — agora uma arma pronta para ser disparada. Ela avistou o ex-noivo parado perto da mesa de champanhe, com o terno visivelmente gasto e os olhos desesperados. A falência da família dele era um segredo que ela pretendia cutucar até o osso.

— A impecabilidade é minha, Rafael — retrucou ela, soltando-se do toque dele apenas o suficiente para caminhar em direção ao alvo. — A dúvida é se você consegue lidar com a minha vingança sem interferir.

O silêncio se propagou à medida que ela se aproximava. O ex-noivo, ao vê-la, deu um passo incerto, a máscara de arrogância desmoronando sob o peso da humilhação pública iminente. Ele tentou sorrir, uma tentativa patética de recuperar a antiga intimidade, mas Beatriz parou a poucos centímetros, mantendo uma distância que era um abismo de classe e poder.

— Beatriz... — ele começou, a voz trêmula. — Eu preciso de um minuto. Eu sei que podemos conversar sobre o que aconteceu com as ações da família...

Ela o interrompeu com um olhar gélido, um sorriso sem calor que fez o sangue dele gelar. O salão inteiro observava. A vingança, ela percebeu, não era apenas destruir; era assistir à queda de quem um dia a considerou pequena demais para o mundo deles. Enquanto ele implorava, ela sentiu Rafael logo atrás, uma sombra vigilante que, embora possessiva, lhe dava o palco que ela exigia. O contrato de fachada estava se tornando uma teia perigosa, mas, naquele momento, a compensação era doce demais para ser ignorada.

Rafael se aproximou, sua presença eclipsando o ex-noivo. Ele não olhou para o homem falido, apenas para Beatriz, com uma intensidade que sugeria que ele preferiria ver o império ruir a permitir que qualquer um a tocasse novamente.

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